O novo paradigma
06/10/2001
Ao final da Guerra Fria o planeta passou a viver outro
paradigma. Saiu de cena o "elefante" chamado Estado dando
lugar a uma política neo liberalista global. O capitalismo, nas
últimas três décadas tem experimentado o doce sabor
da prosperidade em nome da democracia, na qual todos nos do Ocidente
acolhemos. Os atentados ao World Trade Center no dia 11 de setembro,
serviu como alerta para repensarmos o rumo que a nossa ideologia liberal
nos condicionou e sem dúvida nos expôs a uma outra realidade
que já conhecemos relativamente bem - o Estado na economia. Um
dos sinais mais recentes foi o intervencionismo americano na Bolsa de
Valor, comprando ações para evitar uma epidemia de falência.
Ainda é cedo para afirmar a longo prazo se essa atitude foi boa
ou ruim, ao menos momentaneamente salvou milhares de empregos e evitou
um pânico generalizado.
O papel fundamental do Estado no âmbito do capitalismo, é
propiciar condições para o desenvolvimento sócio
econômico do mercado, intervindo o mínimo possível
para evitar distorções planetárias, avaliando o
mercado como um todo. Esta nova função atribuída
a esfera pública pode provocar um retracionismo no comércio
internacional que desestabilizará uma estrutura moldada pela
iniciativa privada. Isto significa um remodelamento na maneira de fazermos
negócios, turismo, consumo,...
Uma das piores conseqüências da globalização
foi o aprofundamento da concentração de renda, aumentando
o abismo que separa os países pobres dos ricos. Não estou
falando em relacionamento - o comércio exterior aumentou, porem
o grau de dependência dos países periféricos tornou-se
quase uma escravidão, mas nas profundas rupturas sociais que
a globalização provocou nos países que não
estavam preparados para uma competitividade internacional. O resultado
foi desemprego e especulação financeira gerando uma comunidade
global de moribundos excluídos.
Este novo paradigma foi gerando pela incapacidade da econômica
liberal capitalista se auto regular, visto que provou ser extremamente
cruel em relação aos direitos humanos. Esperamos que mentes
iluminadas, diferente do presidente norte americano, vejam isto como
uma oportunidade de reestruturar e concertar os erros que todos nós
somos culpados, e não mais atribuímos ao Estado nossa
própria ignorância.