The Day After
17/09/2001
Ao
contrário do que muitos pessimistas comentam, não estamos
a beira de uma III Guerra Mundial. O atentado terrorista ao World Trade
Center e ao Pentágono no ultimo dia 11 de setembro, significou
um divisor de águas para a nova projeção de um
mundo globalizado, porém estamos longe de um conflito mundial.
Caso seja comprovada as suspeitas que o atentado foi de autoria de grupos
radicais Islâmicos, a tendência é de que ocorra um
divisão étnica religiosa global, rodeada de preconceito
e ignorância.
O discurso do presidente americano George W Bush, afirmando que esta
é uma guerra do bem contra o mal, deve ser analisado com cautela.
Sem dúvida o terrorismo deve ser repudiado e combatido por todas
as nações, mas não cabe aos EUA decidir o que é
bom ou mal para todos os demais países. O apoio incondicional
que os americanos vem recebendo de todas as nações com
exceção do Iraque, pode dar-lhe a legitimidade necessária
para aumentar sua influência em todos os Continentes.
A forma com a qual os EUA irão responder aos atentados, será
determinante para o redicionamento da economia mundial e para a geopolítica.
Para termos uma melhor noção do que virá, é
preciso discernimento para analisar a situação com base
em 3 aspectos fundamentais: econômico, político e étnico
religioso.
Para a econômica global, quão maior for a retaliação
americana contra os povos Islâmicos maior será os prejuízos.
Caso a resposta venha em forma de bombas contra país ou países
do Oriente Médio, os danos são imensuráveis. Imediatamente
ocorreria um aumento no preço do petróleo, o capital volátil
investido nos países emergentes sairá em busca de mercados
seguros- atingirá diretamente o Brasil, acarretando um aumento
na taxa de juros, inflação e desaquecimento industrial
através da diminuição de nossas exportações.
Em princípio a tendência seria de uma aumento do preço
do dólar nas economias fracas e uma queda nos mercados seguros
europeu. As empresas transnacionais, sobretudo americanas, terão
uma diminuição significativa em suas receitas, refletindo
diretamente nas Bolsas de Valores de todo o mundo. Isso provocará
um efeito cascata com a evasão do capital aumentando ainda mais
a recessão econômica global. O fluxo do comércio
internacional reduzirá. Não acredito que os EUA resolva
retaliar de forma desacerbada, porque ele é o Estado que tem
maior interesse no comércio Mundial.
Sobre o foco de ordem política a instabilidade provocada pela
incerteza do futuro, condicionou os países a se posicionarem
contra ou a favor de uma possível retaliação armada.
Entretanto este apoio não é sinônimo de legitimidade
para atitudes que venha a ferir os princípios da Soberania do
Direito Internacional. Cabe lembrar que o terrorismo é praticado
por milícias e não por Estados. Outro entrave esta no
Paquistão. Grupos radicais Islâmicos também estão
disseminados por todo território paquistanês, prestes a
cometerem um golpe de Estado. Se ocorrer destes grupos assumirem o poder,
ai teremos um grande problema a nos preocupar - o Paquistão tem
tecnologia para a produção de bombas nucleares.
No cenário étnico religioso teríamos um isolamento
forçado dos países Islâmicos, em uma luta do Islã
contra o Ocidente e um sionismo sem precedentes agravando os conflitos
no Oriente Médio .
Localizado no centro oeste da Ásia, o Afeganistão encontra-se
em conflito há mais de 20 anos. Montanhoso e árido, possui
diversas etnias internas que dividem o território de 652 mil
quilômetros quadrados (um pouco menor que o Texas). Na parte sul
dominam os Pasthtus (39% dos afegãos). Os tadjiques e usbeques
e os hazaras (xiitas) representam as minorias mais importantes, localizadas
no norte e no centro do país.
Um dos países mais pobres do mundo, o Afeganistão tem
como vizinhos países envolvidos em tensões regionais,
como o Irã e o Paquistão. Desde a expulsão dos
soviéticos, que invadiram o país em 1979 e se retiraram
em 1989, a luta pelo poder entre simpatizantes de Moscou e a oposição
islâmica se intensificou. O ápice dessa história
recente é a entrada em cena da milícia islâmica
Talibã (apoiada pelo Paquistão), que passa a conquistar
territórios e adquire o controle da maior parte do país.
Mergulhado na guerra do poder, o Afeganistão é hoje o
maior produtor de ópio do mundo. A substância é
extraída do cultivo da papoula. O subproduto da planta serve
para fabricar drogas como o haxixe e a heroína. Há quem
afirme ser esta a principal fonte de financiamento do Talibã,
que possui campos de treinamento de terroristas e abriga em seu território
o milionário saudita Osama Bin Laden, apontado como o mentor
dos atentados contra os EUA.