Giovanni Migliorini reside em Curitiba-Pr, onde freqüenta o último ano da Faculdade de Comércio Exterior junto a Fundação de Estudos sociais do Paraná, e a Faculdade de Relações Internacionais nas Faculdades Integradas Curitiba


The Day After

17/09/2001

Ao contrário do que muitos pessimistas comentam, não estamos a beira de uma III Guerra Mundial. O atentado terrorista ao World Trade Center e ao Pentágono no ultimo dia 11 de setembro, significou um divisor de águas para a nova projeção de um mundo globalizado, porém estamos longe de um conflito mundial. Caso seja comprovada as suspeitas que o atentado foi de autoria de grupos radicais Islâmicos, a tendência é de que ocorra um divisão étnica religiosa global, rodeada de preconceito e ignorância.
O discurso do presidente americano George W Bush, afirmando que esta é uma guerra do bem contra o mal, deve ser analisado com cautela. Sem dúvida o terrorismo deve ser repudiado e combatido por todas as nações, mas não cabe aos EUA decidir o que é bom ou mal para todos os demais países. O apoio incondicional que os americanos vem recebendo de todas as nações com exceção do Iraque, pode dar-lhe a legitimidade necessária para aumentar sua influência em todos os Continentes.
A forma com a qual os EUA irão responder aos atentados, será determinante para o redicionamento da economia mundial e para a geopolítica. Para termos uma melhor noção do que virá, é preciso discernimento para analisar a situação com base em 3 aspectos fundamentais: econômico, político e étnico religioso.
Para a econômica global, quão maior for a retaliação americana contra os povos Islâmicos maior será os prejuízos. Caso a resposta venha em forma de bombas contra país ou países do Oriente Médio, os danos são imensuráveis. Imediatamente ocorreria um aumento no preço do petróleo, o capital volátil investido nos países emergentes sairá em busca de mercados seguros- atingirá diretamente o Brasil, acarretando um aumento na taxa de juros, inflação e desaquecimento industrial através da diminuição de nossas exportações. Em princípio a tendência seria de uma aumento do preço do dólar nas economias fracas e uma queda nos mercados seguros europeu. As empresas transnacionais, sobretudo americanas, terão uma diminuição significativa em suas receitas, refletindo diretamente nas Bolsas de Valores de todo o mundo. Isso provocará um efeito cascata com a evasão do capital aumentando ainda mais a recessão econômica global. O fluxo do comércio internacional reduzirá. Não acredito que os EUA resolva retaliar de forma desacerbada, porque ele é o Estado que tem maior interesse no comércio Mundial.
Sobre o foco de ordem política a instabilidade provocada pela incerteza do futuro, condicionou os países a se posicionarem contra ou a favor de uma possível retaliação armada. Entretanto este apoio não é sinônimo de legitimidade para atitudes que venha a ferir os princípios da Soberania do Direito Internacional. Cabe lembrar que o terrorismo é praticado por milícias e não por Estados. Outro entrave esta no Paquistão. Grupos radicais Islâmicos também estão disseminados por todo território paquistanês, prestes a cometerem um golpe de Estado. Se ocorrer destes grupos assumirem o poder, ai teremos um grande problema a nos preocupar - o Paquistão tem tecnologia para a produção de bombas nucleares.
No cenário étnico religioso teríamos um isolamento forçado dos países Islâmicos, em uma luta do Islã contra o Ocidente e um sionismo sem precedentes agravando os conflitos no Oriente Médio .
Localizado no centro oeste da Ásia, o Afeganistão encontra-se em conflito há mais de 20 anos. Montanhoso e árido, possui diversas etnias internas que dividem o território de 652 mil quilômetros quadrados (um pouco menor que o Texas). Na parte sul dominam os Pasthtus (39% dos afegãos). Os tadjiques e usbeques e os hazaras (xiitas) representam as minorias mais importantes, localizadas no norte e no centro do país.
Um dos países mais pobres do mundo, o Afeganistão tem como vizinhos países envolvidos em tensões regionais, como o Irã e o Paquistão. Desde a expulsão dos soviéticos, que invadiram o país em 1979 e se retiraram em 1989, a luta pelo poder entre simpatizantes de Moscou e a oposição islâmica se intensificou. O ápice dessa história recente é a entrada em cena da milícia islâmica Talibã (apoiada pelo Paquistão), que passa a conquistar territórios e adquire o controle da maior parte do país.
Mergulhado na guerra do poder, o Afeganistão é hoje o maior produtor de ópio do mundo. A substância é extraída do cultivo da papoula. O subproduto da planta serve para fabricar drogas como o haxixe e a heroína. Há quem afirme ser esta a principal fonte de financiamento do Talibã, que possui campos de treinamento de terroristas e abriga em seu território o milionário saudita Osama Bin Laden, apontado como o mentor dos atentados contra os EUA.




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