A nova pauta exportadora brasileira
12/08/2001
Nunca
se falou tanto que a "solução para o Brasil é
exportar" como nos últimos tempos e parece que esse pungente
desejo tem tomado forma. São inúmeros os esforços
da diplomacia brasileira para ampliar as negociações com
União Européia e Estados Unidos e é visível
o empenho na conquista de novos mercados como China e Oriente Médio.
No período de 1985 a 2000, o Brasil teve crescimento medíocre
de US$ 26 bilhões para US$ 55 bilhões e, agora, o governo
brasileiro está ávido por recuperar o tempo perdido, fato
que se comprova com a pretensiosa meta de elevação de
20% nos embarques em 2001.
Atualmente, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria
e Comércio Exterior, apenas 25 produtos representam 60% do que
o País vende no exterior e a maioria é commodity. O secretário-executivo
da Camex - Câmara de Comércio Exterior, Roberto Giannetti
da Fonseca, acredita que precisamos de uma "revolução
cultural".
Nos últimos anos, vem surgindo um interessante movimento das
pequenas e médias empresas em direção ao mercado
externo. Neste ínterim, foi criada a Apex - Agência de
Promoção de Exportações, com a incumbência
não apenas de fomentar as exportações dessas empresas,
mas prepará-las para as transações internacionais,
adequando seus produtos aos países-alvo.
Em ação desde 1998, sob direção-executiva
de Dorothéa Werneck, a Apex apoia 185 projetos, dos quais 68
já foram concluídos. Com essa iniciativa, produtos brasileiros
ganham o mercado internacional. Embora os números ainda sejam
tímidos, a meta é movimentar US$ 10 bilhões até
2004.
Diferentes setores já participam desse filão: têxtil
e confecções, móveis e madeiras industrializadas,
carnes bovinas, de frango e de suínos, couros, calçados,
frutas in natura, polpas e sucos de frutas, cachaças, máquinas
e equipamentos, alimentos industrializados, cosméticos, limpeza
e higiene pessoal, flores tropicais, jóias e bijuterias, artesanato,
entre tantos outros.
Dorothéa defende a idéia de que, antes de promover os
produtos em feiras, missões, catálogos e vitrines virtuais,
é imperioso preparar as empresas para exportação,
buscando mercados mais acessíveis, adequando produtos em termos
de design, normas técnicas e embalagens.
Reconhecendo a importância desse percurso e após passar
por um processo de adaptação que dura, em média,
dois anos, algumas entidades já comemoram os resultados. É
o caso do Consórcio Flor Brasil, formado por 15 fabricantes de
biquínis brasileiros, que está conquistando a Itália
e os Estados Unidos.
Até 1997, o setor moveleiro praticamente não exportava.
No ano seguinte, 500 empresários formaram um consórcio
com a ajuda da Apex e exportaram US$ 485 milhões. Hoje, o Brasil
é o principal fornecedor da Inglaterra.
As jóias brasileiras encantam os mercados americano e europeu,
tanto que o IBGM - Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos,
em Brasília, promove pavilhões brasileiros nas principais
feiras de jóias e pedras do mundo: Baseel (Suíça),
GLDA e JCK (Las Vegas), JA (Nova York), Hong Kong, Tucson (Estados Unidos)
e JIS (Miami). Até 2003, a meta é ampliar as vendas nesses
países e chegar à cifra de US$ 550 milhões.
Em franco desenvolvimento, o setor calçadista exporta para 70
países, dos quais os EUA abrangem 80% das exportações.
No ano 2000, obteve cifra de US$ 1,5 bilhão e até 2004
pretende alcançar US$ 2,5 bilhões e ampliar as exportações
para outros países.
Mas há outros produtos peculiares em menor quantidade atravessando
o oceano: caixões, óleo de dendê, artesanatos da
Amazônia, cachaça e carne suína, que conquistou
o mercado russo e aumentou em 170% as exportações do produto.
Fonte: Sem Fronteiras