Giovanni Migliorini reside em Curitiba-Pr, onde freqüenta o último ano da Faculdade de Comércio Exterior junto a Fundação de Estudos sociais do Paraná, e a Faculdade de Relações Internacionais nas Faculdades Integradas Curitiba

12/08/2001


Tudo acaba em Tango

O CENÁRIO - A Argentina apresenta um déficit primário que a obriga a captar recursos no exterior pagando altas taxas de juros. O "risco argentino" esta em patamares inviáveis, ou seja, os dólares que entram não são o suficiente para pagar juros, amortizações, financiar o déficit público e o país perdeu sua credibilidade, afugentando os investidores. As exportações são prejudicadas devido a equivalência de um dólar = um peso, tornando o produto argentino extremamente caro no exterior. A tentativa de "swap"(troca) dos bônus argentinos que parecia uma saída não correspondeu a expectativa. A desvalorização do peso, apontado por economistas como inevitável, fomentaria as exportações, mas aumentaria vertiginosamente o passivo (contas a pagar) do país e de todos que possuem dívidas fixadas em dólar elevando a dívida líquida (dívida externa + interna).
Nos últimos meses o Brasil tem passado por maus momentos em decorrência da turbulência do parceiro ao lado. A Argentina vêm a algum tempo tentando amenizar e camuflar a sua verdadeira situação. A saída mais racional porém não menos traumática aponta para a moratória internacional e a desvalorização do peso.
O ministro argentino Domingo Cavallo tem feito uma verdadeira romaria ao longo do planeta, na tentativa de achar o "santo salvador", que na verdade não existe. Em seus discursos, Cavallo faz jus ao nome, e solta patadas para todos os lados, principalmente no Brasil que é sem dúvida é o mais interessado na recuperação argentina.
A Balança Comercial entre os dois maiores países do Mercosul é favorável a Argentina. O Brasil importa mais produtos argentinos do que eles de nós. Em um ato unilateral, o ministro Cavallo baixou um decreto diminuindo o imposto de importação de produtos de tecnologia, ferindo diretamente os preceitos que constituem o Mercosul como uma área de União Aduaneira (todos os membros devem obrigatoriamente adotarem o mesmo imposto de importação - TEC, para o produtos oriundos de fora do bloco). Tal medida vai prejudicar a indústria brasileira diminuindo as exportações e coloca em xeque o Mercosul.
Mesmo que exista uma remota chance da Argentina superar a vigente crise, os maiores mercados financeiros mundiais já a condenaram ao "purgatório" com as recentes declarações que a Argentina esta falida e a bancarrota é uma realidade. Assim mataram o peru na véspera, só esqueceram de avisá-la que os mortos não prejudicam os vivos.




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