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Giovanni Migliorini
reside em Curitiba-Pr, onde freqüenta o último ano da Faculdade de Comércio
Exterior junto a Fundação de Estudos sociais do Paraná, e a Faculdade
de Relações Internacionais nas Faculdades Integradas Curitiba
05/05/2001
A
tempestade Argentina
Em
1991 através do Tratado de Assunção foi constituído
o Mercosul (Mercado Comum do Cone Sul), e a partir daí Brasil,
Argentina, Uruguai e Paraguai criaram uma zona de livre comércio.
O Mercosul para lograr êxito total deve passar por cinco estágios
até chegar a ser um bloco econômico com interação
econômica. O primeiro é a criação de uma zona
de livre comércio, que elimina basicamente obstáculos aduaneiros.
O segundo passo é a união aduaneira, além das vantagens
aduaneiras, os países membros acordam uma política comercial
uniforme também com outras nações que estão
fora do acordo, uma espécie de padronização da pauta
de importações. O terceiro passo, é a transformação
em mercado comum. Neste estágio, são eliminadas restrições
de capital e trabalho, há livre circulação entre
os países envolvidos. Na etapa seguinte, ocorre a união
econômica, ou seja, as políticas econômicas começam
a ser padronizadas. Por fim, se dá a integração econômica
completa, que seria o quinto e último estágio, as políticas
monetária, fiscal e social são uniformizadas e é
criada uma autoridade com autonomia para regular, hoje o bloco mais próximo
de chegar a este grau de interação é a União
Européia.
Na medida em que estas etapas avançam, aumenta-se a dependência
entre os país membros e a conduta econômica de um reflete
em todos, é oque podemos observar ultimamente na Argentina.
A Argentina atravessa uma grave crise, onde o déficit público
(gastos do governo) esta descontrolado contribuindo para a alta da inflação
e a desvalorização da moeda. O ministro Cavallo assumiu
com a árdua tarefa de colocar a casa em ordem o mostrar para o
mercado mundial que a Argentina tem solução, mas o mercado
esta desconfiado principalmente em relação a dívida
externa, onde a Argentina esta tentando renegociar sua dívida através
do swap (troca) em títulos com vencimento a longo prazo. Esta medida
permitiria uma folga e reduziria o risco do calote oque seria uma tragédia
principalmente para o Mercosul. Porém isso não basta, além
da divida externa é preciso uma solução para o controle
da inflação e o financiamento do déficit público,
que para piorar a arrecadação do mês de abril foi
menor que a do ano passado forçando uma aumento de imposto resultando
uma retração de investimentos, inviabilizando o crescimento
econômico.
O Brasil vem sofrendo com o vizinho, a volatilidade ultimamente acentuada
da Bovespa é uma repercussão da tempestade que a Argentina
vem sofrendo. A forte tendência da taxa de cambio é provocada
pelo déficit da Balança Comercial com a diminuição
de investimento externo, porque o mercado mundial não diferencia
Brasil e Argentina, e sua imediata conseqüência é a
alta de juros (taxa selic) para tentar atrair investimento e equilibrar
a balança de pagamentos. Oque é pior, cada vez que o Brasil
aumenta a taxa de juros ou desvaloriza o real a dívida pública
interna cresce e o desenvolvimento do setor industrial cai.
A primazia de se analisar as Relações Internacionais, neste
caso o Mercosul, vem no sentido de interpretar a conjuntura existente
e através desta fazer projeções de tendências
prescrevendo o comportamento futuro para que possamos nos antecipar aos
acontecimentos.
Diante dos fatos, caso a crise Argentina persista, o mercado brasileiro
deve estar atento para alguns pontos, entretanto cabe lembrar que é
tecnicamente impossível prever o cenário futuro, e sim acontecimentos
prováveis de ocorrer:
- Protecionismo Argentino,
consequentemente diminuição das exportações
brasileiras;
- Negociação direta entre Argentina e USA para acordos de
comércio, oque seria péssimo para o andamento do Mercosul
e a implantação do ALCA;
- Diminuição do investimento externo no Brasil, resultando
uma queda de crescimento e um nervosismo para conter a taxa de juros;
- Diminuição de arrecadação, principalmente
no RS que é um grande exportador para o Mercosul;
- Grande volatilidade de títulos brasileiros no exterior (risco
Brasil) prejudicando a credibilidade internacional.
Caso estas previsões
se concretizem, o empresário brasileiro deve buscar diversificar
com antecedência seu portifólio de exportação
para tentar diminuir a dependência com o Mercosul, buscando novas
fontes de recursos. Além disto é preciso uma cautelosa política
de custos e qualidade para tornar seu produto atrativo e competitivo no
mercado mundial.
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