Estreou
Quarta-feira, nos Estados Unidos, “A Paixão de Cristo”,
polêmico filme dirigido por Mel Gibson (Coração
Valente) que conta as últimas doze horas de vida de Jesus. Optando
desde o início por manter a fidelidade aos fatos e o realismo
da encenação, o filme é todo falado em aramaico
e latim e todos os atores são desconhecidos do grande público.
A polêmica sobre o filme se deve, entretanto, as cenas de violência,
em nada parecidas com as versões açucaradas existentes
até hoje e que, em sua maior parte, são exibidas em câmera
lenta e com abundância de sangue, mostrando em detalhes cada
golpe e cada ferimento. Com isso, Gibson pretende ilustrar a real dimensão
do sofrimento de Cristo e o preço que ele pagou por nossos pecados.
Para alguns
grupos cristãos e judeus, entretanto, o filme serve
apenas para incitar o anti-semitismo, por deixar claro que os algozes
de Cristo eram judeus sem dizer, de forma direta, que Jesus e seus
seguidores também eram. Mas, nas palavras do próprio
Papa após assistir o filme: “Foi como foi”.
Ainda
sem data de estréia prevista no Brasil, o filme deve
bater logo alguns recordes de bilheteria nos EUA, onde vem sendo acompanhado
de perto por vários grupos religiosos. Tanto os pró quanto
os contra o filme estão assistindo, e a polêmica só deve
ajudar a divulgar ainda mais o filme.
Para quem
se interessar também por uma versão mais humana
da vida de Jesus, recomendo o livro “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”,
de José Saramago, uma obra essencial até mesmo para quem
não é muito religioso, por mostrar um Cristo de carne
e osso (como ele deve ter sido) e não o “Cristo de filme” que
estamos acostumados – ou estávamos, até esta produção
de Mel Gibson.
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