Existem
filmes que valeriam a pena assistir apenas pelo “clima”. São
aqueles que nos prendem com a forma que a história é contada,
com a fotografia ou a música e que, mesmo que nunca entendamos
sua mensagem, ainda ficamos arrebatados, imóveis no sofá enquanto
os nomes sobem na tela. Nesta categoria, cito três exemplos: Amnésia,
Pi e Estrada Perdida.
Amnésia , suspense de 2001 estreado por Guy Pearce
e Carrie-Anne Moss (a Trinity de Matrix ), conta a história
de um homem que procura pelo assassino da mulher e que, como não
pode guardar novas memórias devido a um ferimento na cabeça,
tatua em seu corpo as pistas encontradas. A originalidade do filme
está no fato de toda a história ser contada do fim para
o começo, o que faz com que o espectador se sinta tão
perdido quanto o personagem.
Já a ficção científica Pi ,
rodada em preto e branco, estreou por aqui em 2002, quatro anos depois
de seu lançamento oficial. O destaque aqui vai para a fotografia
e a trilha sonora, com musicas eletrônicas que definem a esquizofrenia
da produção. Trata-se da história de um gênio
matemático que, ao conseguir calcular todos os digitos do número
Pi, descobre que tudo se comporta através de ciclos, o que lhe
permite prever o futuro e o torna alvo do interesse de investidores
da bolsa e de seitas religiosas fanáticas.
Por fim, um devaneio de David Lynch, provavelmente o diretor mais
pirado de todos os tempos. Estrada Perdida , lançado
em 1997, conta a história de um saxofonista (Bill Pullman) que é preso
quando sua esposa (Patricia Arquette) é encontrada morta. Certo
dia, entretanto, ele desaparece de sua cela e no lugar dele fica um
jovem mecânico que não sabe como foi parar ali. Libertado,
o jovem é envolvido por uma série de acontecimentos bizarros.
O surrealismo da narrativa, aliado a uma fotografia assombrada, dão
o tom da produção.
Além
do clima envolvente que conquistou minha admiração,
os três filmes têm mais um aspecto em comum: não
entendi nenhum deles. Se alguém entender, por favor, me explique.
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