Normalmente, a Semana da Pátria é (ou pelo menos
deveria ser) um perído para relembrarmos nossa história,
para homenagearmos nosso país, nossos antepassados. Além
disso, também um momento para olharmos para dentro do brasileiro
que somos, para a realidade do Brasil.
Quem
ainda lembra do significado do dia sete de setembro? Foi “Independência
ou Morte”, o grito de Dom Pedro? Ou foi “Ordem e Progresso”
gritado por São Pedro? Pergunte para alguém, quem sabe
até para si mesmo, qual o sujeito da frase “Ouviram do
Ipiranga as margens plácidas de um povo heróico o brado
retumbante” e você vai perceber que ninguém sabe
o que significa o nosso hino.
E
isso só pra falar do desconhecimento histórico-patriótico.
Talvez seja melhor nem discutir nossa ignorância histórico-política.
Por exemplo, você sabia que na época da ditadura, você
poderia ser preso por criticar o governo em uma conversa de bar, ou
mesmo que eu poderia ser perseguido ou morto por escrever esta coluna?
E
que tal se discutirmos nosso patriotismo ao sonegar impostos, subornar
guardas de trânsito ou mesmo ao não pedir nota fiscal das
compras que fazemos? Aí escutamos: “Mas e o que o Brasil
faz por mim? O político tal que está no governo é
um desonesto quero mais que se dê mal.”, e assim por diante.
Assim
como na história do homem que mata os pais e, na hora do julgamento,
pede ao juri que tenha piedade de um pobre órfão, não
adianta chorar com os credores quando o país vai mal, sabendo
que também somos culpados pelo desastre.
O
país não é uma pessoa, um governante, ou um lugar.
O Brasil somos todos nós, nossas terras, nossa cultura, nossas
riquezas. Precisamos, cada vez mais, ser patriotas, mas não do
patriotismo de torcer pela seleção, do patriotismo de
cidadão consciente, ciente do que está errado, incentivador
do que é certo. Sejamos este cidadão. Sejamos brasileiros.
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