Deixando
de lado o aspecto humano da tragédia, das vidas perdidas a dor
dos que ficaram, e considerando apenas o aspecto estratégico
do acidente ocorrido em Alcântara, no qual 21 pessoas morreram,
podemos considerar o incidente como uma das maiores burradas logísticas
da história brasileira e uma prova cabal do desprepeparo acadêmico-científico
do nosso país.
Em
primeiro lugar, vamos para a burrada logística: todas as pessoas
que morreram eram peças essenciais ao projeto do foguete, profissionais
insubstituíveis que nunca, em momento algum, deveriam estar trabalhando
ao mesmo tempo e no mesmo lugar. Um projeto deste nível de risco
deve sempre considerar a possibilidade de acidentes fatais e trabalhar
de modo preservar o maior número de especialistas possível
caso algo saia errado.
Vamos
para a prova da nossa desgraça acadêmica: somente daqui
a dez anos o Brasil terá profissionais com conhecimentos equivalentes
aos dos que morreram na explosão. O nosso país é
tão deficiente na formação de cientistas que simplesmente
não haverá, pela próxima década, pessoas
do nível das que se perderam . Provavelmente, vai sair mais caro
a espera por estes novos cientistas do que o custo do foguete.
Se
pode servir de alguma coisa este incidente, quem sabe para que se começe
a levar a ciência um pouco mais a sério no país,
tanto no aspecto de investimentos na área como no gerenciamento
de projetos deste porte, pois seria até engraçado se não
fosse trágico, imaginar que ninguém pensou na hipótese
de que vinte e um profissionais de valor inestimável estavam
sentados juntos numa bomba.
Desculpem
o trocadilho mas o Brasil deve ser o único país que consegue
mandar vinte e um cientistas para o espaço sem que o foguete
saia do chão.
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