Filipe Bortolini tem 22 anos, é estudante de Informática da UFRGS, e atualmente uma de suas maiores paixões é escrever. Filipe está realizando uma oficina de criação literária com o escritor e Doutor em Letras Luiz Antônio de Assis Brasil, grande autoridade no meio literário.

Pro Espaço

Deixando de lado o aspecto humano da tragédia, das vidas perdidas a dor dos que ficaram, e considerando apenas o aspecto estratégico do acidente ocorrido em Alcântara, no qual 21 pessoas morreram, podemos considerar o incidente como uma das maiores burradas logísticas da história brasileira e uma prova cabal do desprepeparo acadêmico-científico do nosso país.
Em primeiro lugar, vamos para a burrada logística: todas as pessoas que morreram eram peças essenciais ao projeto do foguete, profissionais insubstituíveis que nunca, em momento algum, deveriam estar trabalhando ao mesmo tempo e no mesmo lugar. Um projeto deste nível de risco deve sempre considerar a possibilidade de acidentes fatais e trabalhar de modo preservar o maior número de especialistas possível caso algo saia errado.
Vamos para a prova da nossa desgraça acadêmica: somente daqui a dez anos o Brasil terá profissionais com conhecimentos equivalentes aos dos que morreram na explosão. O nosso país é tão deficiente na formação de cientistas que simplesmente não haverá, pela próxima década, pessoas do nível das que se perderam . Provavelmente, vai sair mais caro a espera por estes novos cientistas do que o custo do foguete.
Se pode servir de alguma coisa este incidente, quem sabe para que se começe a levar a ciência um pouco mais a sério no país, tanto no aspecto de investimentos na área como no gerenciamento de projetos deste porte, pois seria até engraçado se não fosse trágico, imaginar que ninguém pensou na hipótese de que vinte e um profissionais de valor inestimável estavam sentados juntos numa bomba.
Desculpem o trocadilho mas o Brasil deve ser o único país que consegue mandar vinte e um cientistas para o espaço sem que o foguete saia do chão.




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