Já
é lugar-comum, na atualidade brasileira, criticar ou lamentar
a qualidade dos programas televisivos exibidos por nossas emissoras.
Não tenho o hábito de assistir televisão, pois
procuro ocupar meu tempo livre com livros e filmes, porém, nessa
semana, enquanto “zapeava” pelos canais, vi algo realmente
inacreditável.
Tratava-se
do programa do Ratinho, que estava mostrando uma “reconstituição”
de um caso de paternidade em que o pai não reconhecia o filho
e, por isso, a mãe havia pedido um exame de DNA. A reconstituição,
entretanto, foi narrada com termos extremamente vulgares, do tipo “ele
queria só o tchaca tchaca e depois que comeu deu um pé
na bunda da Fulana”. Como se não bastasse, eram mostradas
imagens de uma mulher usando apenas roupas íntimas e um homem
passando gelo por suas nádegas e seios.
Eu
olhava para a televisão e não acreditava que algo tão
baixo pudesse estar sendo exibido naquele horário. Mas o pior
ainda estava por vir: quando a transmissão vai para o palco,
sem mais nem menos, entra um homem carregando uma mulher que usava apenas
uma calcinha e atira ela no chão. A mulher levanta, escondendo
os seios com as mãos e é derrubada de novo, depois consegue
levantar e corre para fora do palco, sob os aplausos da platéia.
O porquê, disso, não me pergunte.
Acho
que foi a primeira vez que me senti ofendido por um programa de televisão.
Até esta semana, sempre tive dúvidas quanto a normas de
regulamentação de programas televisivos, por temer alguma
limitação no direito de livre expressão, mas depois
disso, acho que realmente vale a pena discutir este assunto.
Se
eu, com vinte e poucos anos de idade fiquei chocado, como se sente uma
criança assistindo a um programa desses? E o pior de tudo é
pensar que, se esse tipo de programa está no ar, é por
que tem gente que assiste, e pior ainda, que gosta.
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