Filipe Bortolini tem 22 anos, é estudante de Informática da UFRGS, e atualmente uma de suas maiores paixões é escrever. Filipe está realizando uma oficina de criação literária com o escritor e Doutor em Letras Luiz Antônio de Assis Brasil, grande autoridade no meio literário.

Televisão

Já é lugar-comum, na atualidade brasileira, criticar ou lamentar a qualidade dos programas televisivos exibidos por nossas emissoras. Não tenho o hábito de assistir televisão, pois procuro ocupar meu tempo livre com livros e filmes, porém, nessa semana, enquanto “zapeava” pelos canais, vi algo realmente inacreditável.
Tratava-se do programa do Ratinho, que estava mostrando uma “reconstituição” de um caso de paternidade em que o pai não reconhecia o filho e, por isso, a mãe havia pedido um exame de DNA. A reconstituição, entretanto, foi narrada com termos extremamente vulgares, do tipo “ele queria só o tchaca tchaca e depois que comeu deu um pé na bunda da Fulana”. Como se não bastasse, eram mostradas imagens de uma mulher usando apenas roupas íntimas e um homem passando gelo por suas nádegas e seios.
Eu olhava para a televisão e não acreditava que algo tão baixo pudesse estar sendo exibido naquele horário. Mas o pior ainda estava por vir: quando a transmissão vai para o palco, sem mais nem menos, entra um homem carregando uma mulher que usava apenas uma calcinha e atira ela no chão. A mulher levanta, escondendo os seios com as mãos e é derrubada de novo, depois consegue levantar e corre para fora do palco, sob os aplausos da platéia. O porquê, disso, não me pergunte.
Acho que foi a primeira vez que me senti ofendido por um programa de televisão. Até esta semana, sempre tive dúvidas quanto a normas de regulamentação de programas televisivos, por temer alguma limitação no direito de livre expressão, mas depois disso, acho que realmente vale a pena discutir este assunto.
Se eu, com vinte e poucos anos de idade fiquei chocado, como se sente uma criança assistindo a um programa desses? E o pior de tudo é pensar que, se esse tipo de programa está no ar, é por que tem gente que assiste, e pior ainda, que gosta.

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