Filipe Bortolini tem 22 anos, é estudante de Informática da UFRGS, e atualmente uma de suas maiores paixões é escrever. Filipe está realizando uma oficina de criação literária com o escritor e Doutor em Letras Luiz Antônio de Assis Brasil, grande autoridade no meio literário.

Juros

A decisão do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) de manter a taxa básica de juros em 26,5%, divulgada na última quarta-feira foi alvo de aplausos e vaias simultaneamente.
Os aplausos vieram do mercado financeiro, que elogiou a prudência da equipe econômica diante da a ameaça de aumento da inflação: o dólar caiu ainda mais e as bolsas fecharam em alta. Assim, o Banco Central aumentou sua credibilidade com os investidores, que acreditam que a decisão abre caminho para iniciar o corte de juros sem influenciar a meta de inflação.
As vaias, por sua vez, vieram do setor produtivo, pois a taxa básica de 26,5% ao ano é extremamente prejudicial ao comércio, principalmente ao setor de bens duráveis, que é o que mais depende de crédito. Devido a alta taxa de juros, é difícil para as empresas abrirem financiamentos para seus clientes, o que faz com que o setor passe por uma de suas maiores recessões.
O problema todo está no fato de que se a taxa de juros cai, os investidores estrangeiros retiram seus dólares do país, fazendo com que o preço da moeda americana aumente. O conseqüente aumento do consumo causaria alta na inflação. Com a taxa de juros do jeito que está, os empresários e os consumidores não conseguem obter crédito nem comprar, o mercado fica estagnado e o país não cresce.
Novamente, fica claro que o grande problema do Brasil ainda é a vulnerabilidade econômica, causada pela visceral dependência ao capital estrangeiro de curto prazo.
Como Lula vai tirar o Brasil dessa arapuca, é o que todos queremos ver.


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