A
decisão do Copom (Comitê de Política Monetária
do Banco Central) de manter a taxa básica de juros em 26,5%,
divulgada na última quarta-feira foi alvo de aplausos e vaias
simultaneamente.
Os
aplausos vieram do mercado financeiro, que elogiou a prudência
da equipe econômica diante da a ameaça de aumento da inflação:
o dólar caiu ainda mais e as bolsas fecharam em alta. Assim,
o Banco Central aumentou sua credibilidade com os investidores, que
acreditam que a decisão abre caminho para iniciar o corte de
juros sem influenciar a meta de inflação.
As
vaias, por sua vez, vieram do setor produtivo, pois a taxa básica
de 26,5% ao ano é extremamente prejudicial ao comércio,
principalmente ao setor de bens duráveis, que é o que
mais depende de crédito. Devido a alta taxa de juros, é
difícil para as empresas abrirem financiamentos para seus clientes,
o que faz com que o setor passe por uma de suas maiores recessões.
O
problema todo está no fato de que se a taxa de juros cai, os
investidores estrangeiros retiram seus dólares do país,
fazendo com que o preço da moeda americana aumente. O conseqüente
aumento do consumo causaria alta na inflação. Com a taxa
de juros do jeito que está, os empresários e os consumidores
não conseguem obter crédito nem comprar, o mercado fica
estagnado e o país não cresce.
Novamente,
fica claro que o grande problema do Brasil ainda é a vulnerabilidade
econômica, causada pela visceral dependência ao capital
estrangeiro de curto prazo.
Como
Lula vai tirar o Brasil dessa arapuca, é o que todos queremos
ver.
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