A
renúncia de Carlos Menem à candidatura pela presidência
da Argentina antecipou o fim da disputa eleitoral e automaticamente
elegeu seu adversário, Nestor Kirchner. A desistência de
Menem, tida por alguns como suicídio político e por outros
como uma jogada estratégica, não teve qualquer explicação
por parte do candidato. A justificativa mais provável, entretanto,
seria a de evitar uma humilhação nas urnas, uma vez que
as pesquisas apontavam que Kirchner tinha mais de 70% da preferência
dos argentinos.
Por
incrível que pareça, Menem foi o candidato mais votado
no primeiro turno, obtendo quase 25% dos votos, 2% a mais que Kirchner.
Ao que parece, Menem manteve seus pontos no segundo turno, enquanto
seu rival recebeu o apoio de todos os eleitores que votaram em outros
candidatos.
Tamanha
adesão a Kirchner, entrentanto não é nenhuma surpresa:
para quem não lembra, Menem é o responsável pela
atual crise Argentina, após ter governado a Argentina por dez
anos (1989 a 1999). Durante seu governo, Menem privatizou todas as empresas
públicas argentinas e manteve o peso com o mesmo valor do dólar,
o que causou um rombo catastrófico nas contas do país.
Reeleger Menem seria o mesmo que reelegermos FH.
FH
fez pelo Brasil praticamente o mesmo que Menem fez pela Argentina, diferindo
em apenas duas coisas: FH não teve tempo de vender todas as empresas
públicas e manteve o Real atrelado ao dólar apenas o tempo
necessário para se reeleger. A capacidade econômica do
Brasil e sorte, muita sorte, foi o que evitou que chegássemos
na mesma situação dos hermanos.
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