Acabei
minha outra dose e comecei a mexer as pedras de gelo com o dedo.
Sete e quinze e nada da minha garota. Pensei em pedir outro drinque
mas, nesse momento, entrou no bar um jovenzinho metido a besta do
nosso bairro, nunca soube o nome dele. Entrou sem dizer nada e puxou
um canhão
que trazia escondido na cintura, era tão franzino que mal conseguia
segurar a arma. Rios ainda fez menção de pegar o revólver
que guardava embaixo do balcão, mas não teve tempo: o
rapazinho gritou “Morre seu corno!” e disparou. A bala atravessou o
pescoço de Rios e arrebentou o espelho atrás da prateleira
das bebidas. O sangue do velho barman se espalhou por metade das garrafas
que ali estavam. O assassino nem olhou para mim, apenas colocou a arma
de volta na cintura e desapareceu correndo.
Fiquei
ali sentado por algum tempo, olhando o quadro: o velho João
estendido no chão, o pescoço estraçalhado, a cabeça
quase separada do corpo. Sua área, seu refúgio, o último
lugar limpo daquela espelunca estava agora coberto de sangue e estava
tudo acabado.
Levantei
e peguei o meu casaco do banco ao lado. Agarrei a garrafa de uísque pela metade da qual eu estava sendo servido e caminhei
até a ponta do balcão, onde estava o telefone. Disquei
o número da polícia, esperei atender, depois larguei
o fone fora do gancho, enquanto ouvia a voz da atendente gritar “alô”.
Joguei meu casaco sobre o ombro e saí para a noite com minha
garrafa, precisava achar outro bar.
Não
ia encontrar Mimi hoje, de qualquer jeito. Uma pena. Mimi era uma
menina muito gostosa. Gostosa demais para mim, aliás.