Filipe Bortolini tem 22 anos, é estudante de Informática da UFRGS, e atualmente uma de suas maiores paixões é escrever. Filipe está realizando uma oficina de criação literária com o escritor e Doutor em Letras Luiz Antônio de Assis Brasil, grande autoridade no meio literário.

Jhonny Rivers - Parte IV

Acabei minha outra dose e comecei a mexer as pedras de gelo com o dedo. Sete e quinze e nada da minha garota. Pensei em pedir outro drinque mas, nesse momento, entrou no bar um jovenzinho metido a besta do nosso bairro, nunca soube o nome dele. Entrou sem dizer nada e puxou um canhão que trazia escondido na cintura, era tão franzino que mal conseguia segurar a arma. Rios ainda fez menção de pegar o revólver que guardava embaixo do balcão, mas não teve tempo: o rapazinho gritou “Morre seu corno!” e disparou. A bala atravessou o pescoço de Rios e arrebentou o espelho atrás da prateleira das bebidas. O sangue do velho barman se espalhou por metade das garrafas que ali estavam. O assassino nem olhou para mim, apenas colocou a arma de volta na cintura e desapareceu correndo.

Fiquei ali sentado por algum tempo, olhando o quadro: o velho João estendido no chão, o pescoço estraçalhado, a cabeça quase separada do corpo. Sua área, seu refúgio, o último lugar limpo daquela espelunca estava agora coberto de sangue e estava tudo acabado.

Levantei e peguei o meu casaco do banco ao lado. Agarrei a garrafa de uísque pela metade da qual eu estava sendo servido e caminhei até a ponta do balcão, onde estava o telefone. Disquei o número da polícia, esperei atender, depois larguei o fone fora do gancho, enquanto ouvia a voz da atendente gritar “alô”. Joguei meu casaco sobre o ombro e saí para a noite com minha garrafa, precisava achar outro bar.

Não ia encontrar Mimi hoje, de qualquer jeito. Uma pena. Mimi era uma menina muito gostosa. Gostosa demais para mim, aliás.

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