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Filipe Bortolini
tem 22 anos, é estudante de Informática da UFRGS, e atualmente
uma de suas maiores paixões é escrever. Filipe está
realizando uma oficina de criação literária com o
escritor e Doutor em Letras Luiz Antônio de Assis Brasil, grande
autoridade no meio literário.
Jhonny
Rivers - parte III
Mimi
tinha quase a minha idade. Eu a conhecera em um outro bar, há uns três
ou quatro meses. Ela estava começando a percorrer o mesmo caminho que
eu, tinha se divorciado há pouco tempo. Ficávamos sentados lado a lado
nos bancos do balcão, tomando uísque e nos lamentando, dois pobres coitados,
cujas vidas foram injustamente destruídas. Éramos inocentes, os dois,
e víamos isso mais e mais claro após cada dose. Depois de encher a cara
até o Rios nos mandar embora, íamos para o
apartamento dela. Na maioria das vezes, caíamos os dois bêbados
na cama e dormíamos um para cada lado, incapazes de fazer qualquer coisa.
Outras vezes, quando estávamos menos bêbados (nunca sóbrios), transávamos
(fazer amor não vem ao caso) rapidamente, quase sempre sem tirar toda
a roupa, e às vezes era bom. Tudo dependia de ter álcool nas veias na
medida certa para não ficar nem insensível, nem sensível demais. Eram
poucas as ocasiões em que os dois acertavam essa medida juntos. Enfim,
às vezes era bom.
Assim
como eu, ela não tinha filhos e seu ex-marido levou tudo depois do divórcio,
inclusive o cachorro. Só o que sobrou do casamento foi uma pequena mesa
de jantar, onde tomávamos café da manhã como estranhos. Quase sempre eu
nos poupava do constrangimento e ia embora antes que ela levantasse. Ia
para o meu apartamento, onde geralmente havia uma garrafa de uísque barato,
bebia mais uns goles e depois dormia, novamente sem tirar a roupa. Acordava
de tarde, comia qualquer coisa que houvesse na geladeira. Se tivesse alguma
entrevista de emprego, tomava um banho e depois saia. Se não, ficava sentado
no sofá, assistindo televisão até a hora de ir para o Jhonny Rivers outra
vez.
CONTINUA...
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