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Filipe Bortolini
tem 22 anos, é estudante de Informática da UFRGS, e atualmente
uma de suas maiores paixões é escrever. Filipe está
realizando uma oficina de criação literária com o
escritor e Doutor em Letras Luiz Antônio de Assis Brasil, grande
autoridade no meio literário.
Jhonny
Rivers - parte II
Levantei
os olhos e olhei ao meu redor: por todos os lados, a decadência.
O chão de madeira carcomido entre o balcão e as mesas, e
estas com suas toalhas esburacadas por cigarros. No fundo do bar, ao lado
da porta dos banheiros, uma máquina de pinball com as luzes jazia
ao lado de um caça-níqueis sem alavanca.
Eu
acompanhara aquele lugar e seu dono por todo o caminho. Tivemos nossos
dias de glória e desgraça juntos: foi aqui que paguei uma
rodada ao conseguir meu primeiro emprego, onde fiz minha despedida de
solteiro, onde comemorei minha promoção. Também aqui
enchi minha cara depois que fui demitido, vomitei na calçada no
dia em que assinei meu divórcio e onde bebo até cair depois
de cada entrevista de emprego mal-sucedida.
Detrás
do balcão, Rios, como sempre, varria o chão a cada cinco
minutos, mantendo limpo o seu mundo. Ali ele ainda era o mesmo, não
fazendo parte da desgraça que era o resto do bar. Aliás,
o outro lado do balcão era realmente o único lugar que ainda
tinha uma vaga semelhança com o que fora: uma estante com quatro
prateleiras de vidro e fundo espelhado segurava as garrafas de uísque
barato que substituíram os Ballantines, Jhonny Walker e Chivas
Regal. Todas as garrafas, entretanto, brilhavam, pois Rios jamais deixava
que a poeira se acumulasse. Olhei para as garrafas e vi meu rosto refletido
no espelho atrás delas: vocês já tiveram melhores
rótulos, garotas, e minha cara também já foi melhor.
CONTINUA...
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