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Filipe Bortolini
tem 22 anos, é estudante de Informática da UFRGS, e atualmente
uma de suas maiores paixões é escrever. Filipe está
realizando uma oficina de criação literária com o
escritor e Doutor em Letras Luiz Antônio de Assis Brasil, grande
autoridade no meio literário.
Jhonny
Rivers
Combinei
com a Mimi às seis e meia no “Jhonny Rivers” e era
exatamente onde eu estava. Exceto que já eram sete horas e eu estava
sozinho. Pedi mais uma dose de uísque, alcançando o copo
para que o barman me servisse. João Rios era o nome dele, um cinqüentão
barrigudo e careca que, junto com seu bar, teve seus bons dias. Só
o que restara deles eram os clientes (perdedores como eu) e sua mulher,
uma ruiva vinte anos mais nova, muito gostosa. Gostosa demais para ele,
aliás.
Fiquei
girando meu copo e olhando os cubos de gelo fazerem um redemoinho na bebida,
o mesmo redemoinho no qual me afoguei a vida inteira. Se eu estivesse
num filme, agora a câmera se aproximaria do copo mais e mais até
que tudo ficasse escuro e a imagem voltaria comigo entrando no bar quinze
anos antes. Eu abriria a porta e olharia para o interior luminoso e cheio
de pessoas. No
balcão à minha esquerda, com todos os bancos ocupados, pessoas
em pé conversando e o seu João, ainda com cabelo, atendendo
a todos. As mesas à minha direita também estariam lotadas
por homens usando terno e bebendo uísque. Eu passaria cumprimentando
todos e todos me cumprimentariam, chegaria aos fundos do bar, à
porta dos banheiros. Eu cruzaria por ela, pelos azulejos brancos reluzentes,
até a pia. Veria meu rosto jovem e escanhoado, daria uma ajeitada
no cabelo, depois encheria as mãos de água e as levaria
ao rosto. Ficaria assim por algum tempo e então, quando minhas
mãos descessem, lá estaria meu velho rosto novamente, com
a barba mal-feita e as olheiras de álcool. E estaríamos
de volta ao balcão.
CONTINUA...
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