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Filipe Bortolini
tem 22 anos, é estudante de Informática da UFRGS, e atualmente
uma de suas maiores paixões é escrever. Filipe está
realizando uma oficina de criação literária com o
escritor e Doutor em Letras Luiz Antônio de Assis Brasil, grande
autoridade no meio literário.
Meu
Inter
Estou
escrevendo este texto na quarta-feira, propositalmente antes do jogo do
Inter, para trabalhar apenas na suposição de que podemos
ser rebaixados e não na certeza do rebaixamento, que acontecerá
se o time continuar do mesmo jeito.
Nunca
fui um torcedor muito fanático (eu provavelmente nem estaria escrevendo
sobre este assunto se eu não estivesse tão de saco cheio
de falar em política), mas a situação em que meu
time conseguiu se colocar supera quaisquer das desgraças a que
estamos acostumados.
Nessas
horas é que a gente realmente vê a passionalidade da escolha
pelo clube. Mesmo com o Inter indo de mal a pior e não ganhando
um título relevante na última década, qualquer colorado
se levanta prontamente para defender o time quando falam mal dele e é
capaz de provar matematicamente que o Inter é melhor que o Grêmio
(aliás, isso é bastante óbvio).
Se
alguém conhece as Leis de Murphy, que dizem que se algo pode dar
errado então esse algo vai dar errado, sabe que o Inter vai ainda
mais longe: se o time não tem como ficar pior ele fica ainda pior,
seja tomando goleada do lanterna em casa, seja entregando um jogo no último
minuto.
Caso
o Inter tenha perdido e já esteja rebaixado, temos que suportar
a dor e sermos racionais, sem deixar que a paixão pelo clube afete
nosso discernimento da realidade e das nossas fraquezas. Afinal, nós
não temos culpa se o juiz era um ladrão gremista.
13/11/2002
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