Filipe Bortolini tem 22 anos, é estudante de Informática da UFRGS, e atualmente uma de suas maiores paixões é escrever. Filipe está realizando uma oficina de criação literária com o escritor e Doutor em Letras Luiz Antônio de Assis Brasil, grande autoridade no meio literário.

Os juros e o dólar

O dólar bateu novamente seu recorde de cotação nesta semana, fazendo o real ficar abaixo da do peso argentino.
Economistas e analistas políticos afirmaram que a causa da disparada, além da natural instabilidade pré-eleições, foi a ação dos credores da divida pública brasileira, que pressionaram o dólar para que recebessem mais por seus títulos, que são indexados pela moeda americana.
Calcula-se que, com a estratégia, os credores obtiveram um lucro extra de R$ 1 bilhão. Um bilhão de reais a mais que saíram dos cofres públicos para pagar uma mesma quantidade de dólares. Um bilhão de reais que certamente serão cortados de programas sociais.
Infelizmente, esta é a lógica de funcionamento de um país que tem sua economia dependente do capital especulativo estrangeiro e onde o pagamento de juros é mais importante que o investimento em pesquisa, agricultura, educação, saúde e bem-estar do povo.
Deixar de pagar os juros, entretanto, seria algo catastrófico: os investimentos estrangeiros sumiriam imediatamente, a cotação do dólar dispararia e o Brasil seria jogado à mesma condição da Argentina, quebrada e sem credibilidade para conseguir empréstimos junto aos organismos internacionais.
Se não se pode progredir pagando os juros e, se não pagarmos os juros, regridimos, ou ficamos na mesma posição em que estamos agora (sem crescimento econômico e com a desigualdade social aumentando até que se chegue ao estado de caos social) ou tomamos uma atitude que mude esta situação, fazendo acordos no que for possível e investindo na produção e no crescimento econômico do país.
O momento atual é decisivo: estamos em condições de criar uma cultura de exportações que abasteceria o mercado dos dólares de que dependemos. Dólares que, investidos corretamente, nos dariam a possibilidade de desenvolver e firmar nossa economia forte.
Os oito anos de FHC no governo foram prova mais que suficiente de que uma economia estável, porém estagnada, não resolve os problemas brasileiros. A hora de mudar é agora: ou vamos morro acima ou vamos Serra abaixo.


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