Filipe Bortolini tem 22 anos, é estudante de Informática da UFRGS, e atualmente uma de suas maiores paixões é escrever. Filipe está realizando uma oficina de criação literária com o escritor e Doutor em Letras Luiz Antônio de Assis Brasil, grande autoridade no meio literário.

Quem são os neobobos

Na sua coluna de terça-feira na Folha de São Paulo, Clóvis Rossi cita um artigo publicado pelo economista Paul Krugman, professor da Universidade de Princeton (uma das mais famosas do planeta) e colunista do jornal "The New York Times", referência mundial.
Nesse artigo, Paul Krugman diz o seguinte:
"Dez anos atrás, Washington garantiu aos países latino-americanos que, se eles se abrissem para bens e capitais estrangeiros e se privatizassem as estatais, viveriam um grande crescimento econômico. Mas isso não aconteceu. A Argentina está uma catástrofe. México e Brasil eram, até alguns meses atrás, vistos como histórias que deram certo, mas a renda per capita hoje nos dois países está apenas um pouquinho acima do que em 1980. E, como a desigualdade se agravou muito, a maioria das pessoas provavelmente está em pior situação que há vinte anos. Podemos nos surpreender pelo fato de a população estar farta de ainda mais chamados por austeridade?".
Krungman também admite ter acreditado no "Consenso de Washington", que codificou o "receituário neoliberal". Entretanto, ele acrescenta: "agora(...) é hora de avaliar minhas crenças no mercado".
Não deixa de ser reconfortante ver uma das autoridades mundiais em economia admitir que o padrão neoliberal é falho, principalmente depois de ter visto a arrogância dos defensores do neoliberalismo como o caminho indiscutível para a salvação, ao ponto de classificar de "neobobos" aqueles que ser recusassem a usar os arreios americanos. Vendo a situação atual do Brasil, que quase não tem mais patrimônio público e cuja economia depende vitalmente do capital especulativo, eu me pergunto: "Quem são mesmo os neobobos ?".
Como disse o Clóvis Rossi: "Bem-vindo ao clube, Paul. Você não imagina como foi dura a travessia do deserto para os poucos que nunca caímos no conto do Consenso de Washington".

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