Filipe Bortolini tem 22 anos, é estudante de Informática da UFRGS, e atualmente uma de suas maiores paixões é escrever. Filipe está realizando uma oficina de criação literária com o escritor e Doutor em Letras Luiz Antônio de Assis Brasil, grande autoridade no meio literário.

O verdadeiro risco

Não deixa de ser irônico o fato do banco JP Morgan estar envolvido na fraude que acarretou na falência da Enron, a segunda maior falência da história, e ser um dos credores da WorldCom, essa sim, a maior falência da história do capitalismo. Pra quem não lembra, o JP Morgan é o mesmo banco que rebaixou a recomendação pra investimentos no Brasil "porque o país não é confiável".
Segundo evidências encontradas pelo senado americano "certas instituições financeiras se envolveram, e até auxiliaram, nas transações que a Enron usou para esconder sua dívida e, assim, fizeram com que a situação financeira da companhia parecesse mais sólida do que era".
O que o JP Morgan fazia era emprestar dinheiro para a Enron, que registrava a operação em seus balanços como se fosse receita por venda de energia. Desse modo, a empresa apresentava um faturamento inflado e reduzia artificialmente as dívidas enquanto elas, na verdade, só aumentavam.
O que o banco buscava, certamente, era o mesmo que buscava quando reduziu a classificação do risco-Brasil: especular e ganhar dinheiro. Quantos milhões o banco ganhou por participação na venda de ações da Enron enquanto elas ainda estavam em alta é algo que provavelmente nunca será revelado.
E há quem diga que as empresas americanas, a partir de agora, irão contratar a indústria de cosméticos Avon para fazer os seus balanços, pra que a maquiagem saia bem feita.
Encerro com as palavras de Lurdete Ertel, em sua coluna de 24 de julho, na Zero Hora.
"Diante do envolvimento desta respeitada instituição financeira nas duas maiores falcatruas da história recente, pergunta-se: os analistas do banco não deveriam prestar mais atenção no que ocorre debaixo de suas próprias telhas, sob seu nariz, em vez de perder tanto tempo avaliando o risco alheio e bagunçando o campinho dos outros?
Outra pergunta que não quer calar: como fica o risco da própria instituição? Se não sabia das tramóias, parece estar seriamente mal-informada sobre a credibilidade das empresas para as quais empresta dinheiro. Se sabia, o problema tem outro nome. E bem pior...
De uma forma ou de outra, caiu aqui: financiar desonestos não é muito mais arriscado do que investir em emergentes?"

 

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