Filipe Bortolini tem 22 anos, é estudante de Informática da UFRGS, e atualmente uma de suas maiores paixões é escrever. Filipe está realizando uma oficina de criação literária com o escritor e Doutor em Letras Luiz Antônio de Assis Brasil, grande autoridade no meio literário.

Boa Sorte

Seja quem for o eleito nas próximas eleições, uma coisa é certa: o próximo presidente terá que administrar um Orçamento com pouca margem de manobra nas despesas, desaparecimento de fonte de receitas e, ainda assim, comprometido em alcançar um superávit primário (diferença entre receitas e despesas) de R$ 39,82 bilhões no seu primeiro ano de mandato.
Segundo reportagem do jornal O Estado de São Paulo, um estudo do Banco Central (BC) revela que o governo deixará de arrecadar R$ 17 bilhões com a redução da CPMF de 0,38% para 0,8% em 2004. Também perderá R$ 1,7 bilhão com a redução da alíquota do Imposto de Renda (que passará de 27,5% para 25%) e R$ 1,1 bilhão com o fim da Contribuição social sobre o Lucro Líquido (CSLL), o imposto cobrado sobre qualquer lucro obtido nos termos da legislação comercial.
Outro fato apontado pelo estudo é "o gradual esgotamento dos leilões de concessão de serviços públicos, previsto no Programa Nacional de Desestatização". Ou seja, por incrível que pareça, quando você privatiza todas as empresas e serviços prestados pelo governo, chega uma hora que você não tem mais o que vender! Como boa parte do dinheiro usado por FHC era proveniente deste tipo de transação, boa sorte para seu sucessor.
Para o governo não ir para o buraco, será necessário um crescimento de 2,80% do Produto Interno Bruto (PIB) o que, em época de recessão e crise mundial, é quase uma utopia. Pra piorar, a cada 0,5 ponto percentual a menos de crescimento do PIB, há R$ 1,1 bilhão a menos em arrecadação.
E isso tudo sem contar o déficit da Previdência Social, que foi de R$ 61,5 bilhões em 2001 e que só aumentará enquanto não for tomada uma atitude enérgica na solução do problema que, aliás, não aparece nas propostas de nenhum dos candidatos a presidente.
Dado o quadro acima, não é de estranhar que José Serra queira desgrudar sua imagem de FHC e fazer passar despercebido o fato de ser o candidato da situação. Tal estratégia, entretanto, não cola, como demostram as últimas pesquisas, que mostram Serra em terceiro lugar. Desse modo, o Luciano Huck vai ter que se esforçar muito pra eleger seu candidato.



 

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