Filipe Bortolini tem 22 anos, é estudante de Informática da UFRGS, e atualmente uma de suas maiores paixões é escrever. Filipe está realizando uma oficina de criação literária com o escritor e Doutor em Letras Luiz Antônio de Assis Brasil, grande autoridade no meio literário.

Conveniente Conivência

A semana começou com mais uma crise no governo FHC, motivada pela saída do ministro da Justiça, Miguel Reale Jr., que entregou seu cargo na tarde de segunda-feira.
A renúncia do ministro foi motivada pelo arquivamento do pedido de intervenção federal no estado do Espírito Santo encaminhado por ele ao procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro. A decisão de arquivar o pedido que teve o apoio de FHC, que justificou a atitude afirmando que o momento é politicamente inviável. Sentindo-se desautorizado, Reale Jr. entregou o cargo.
O pedido de intervenção foi aprovado pelo Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH), do Ministério da Justiça, para tentar dar um basta à onda de crimes que assola o Espírito Santo. Processos por corrupção, denúncias de ligações públicas com o crime organizado, acusações de cobrança de propina, PMs presos por envolvimento com chantagens e com grupos de extermínio são apenas uma pequena parte do quadro.
As acusações envolvem, inclusive, o próprio governador do Estado, José Ignácio Ferreira (PTN), que responde a cinco processos no Superior Tribunal de Justiça por crimes contra o sistema financeiro e contra a administração pública (mais dois por crime contra a honra). Nos últimos dois anos, ele teve de deixar o PSDB, enfrentou um pedido de impeachment e teve de demitir quatro secretários de Estado sob suspeita de desvio de dinheiro.
A justificativa de FHC é de que seria politicamente inviável "pois esse não é o momento adequado por razões óbvias", mas ninguém faz a menor idéia de que razões óbvias sejam essas. Talvez seja por que o candidato apoiado pelo PSDB no estado vai contar com o apoio de Ferreira, que apesar de ser de outro partido é amiguinho da ex-sigla. De qualquer forma, existe momento propício para uma intervenção federal?
A saída de Reale Jr. foi um duro golpe no governo e, se FHC pode tirar alguma lição de tudo isso é a seguinte: às vezes, apenas às vezes, a conveniência política não é a parte mais importante.

 

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