Filipe Bortolini tem 22 anos, é estudante de Informática da UFRGS, e atualmente uma de suas maiores paixões é escrever. Filipe está realizando uma oficina de criação literária com o escritor e Doutor em Letras Luiz Antônio de Assis Brasil, grande autoridade no meio literário.

Senado Shopping

E o assunto dessa semana é a prorrogação da CPMF sem carência. O projeto, aprovado na quarta-feira, permite ao governo continuar cobrando a "contribuição provisória" sem ter que esperar os 90 dias exigidos por lei para que entrem em vigor as decisões sobre criação de novos impostos. O argumento usado pelo governo foi de que a contribuição não era nova, uma vez que já vem sendo cobrada, tratando-se apenas de uma prorrogação.
Entretanto, também houve outros bons argumentos utilizados para que a decisão favorável fosse garantida: mais uma vez, o governo comprou parlamentares para aprovar um projeto. Tal como na emenda da reeleição que, na minha opinião, foi uma das maiores vergonhas na história do país, o governo adquiriu os votos necessários para a aprovação da CPMF sem noventena através da liberação de verbas para os parlamentares que votassem a favor do projeto.
Com a barganha, foram liberados, nos últimos dias, R$ 32 milhões em verbas de orçamento para atender às emendas dos parlamentares que venderam seus votos. Deste modo, as obras propostas por eles serão iniciadas antes de outubro, garantindo a reeleição desses políticos exemplares. Esse dinheiro, é claro, será retirado de áreas do orçamento que não são importantes, como educação, saúde e assistência social.
Assim como no caso da emenda da reeleição, o que me surpreende nem é o governo abertamente comprar votos para aprovar seus projetos. O que realmente me deixa indignado é que isso não é nenhum escândalo e ninguém dá bola para o assunto. Pior ainda, depois saem as pesquisas de opinião com a maioria da população dizendo que o FHC é honesto! Maluf presidente!
Dado que hoje em dia se compra votos sem fazer qualquer segredo, proponho o seguinte projeto para tornar a política brasileira mais transparente: vamos transformar o Senado e a Câmara dos Deputados no maior shopping center da América Latina. Ao invés de gabinetes, os deputados e senadores teriam as suas próprias lojas, onde a população e o governo poderiam negociar seus projetos tranqüilamente, com ar-condicionado, segurança e estacionamento coberto. No lugar do plenário, colocaria-se um cinema e, na praça de alimentação, que seria gigantesca e com cadeiras confortáveis, haveria dezenas de pizzarias. Tudo feito com bom gosto e elegância, como gosta o FHC.

 

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