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Filipe Bortolini
tem 22 anos, é estudante de Informática da UFRGS, e atualmente
uma de suas maiores paixões é escrever. Filipe está
realizando uma oficina de criação literária com o
escritor e Doutor em Letras Luiz Antônio de Assis Brasil, grande
autoridade no meio literário.
Previ
É
no mínimo interessante a intervenção que o Ministério
da Previdência Social está fazendo na Previ, o fundo de pensão
dos funcionários do Banco do Brasil. Segundo o governo federal,
a Previ teria descumprido a nova lei sobre o número de diretores,
que define que todos os conselhos de fundos de pensões patrocinados
por estatais devem ter quatro representantes da estatal e três dos
participantes, sendo o voto de Minerva do presidente do conselho, a ser
indicado pelo governo.
Um
fundo de pensão é, na prática, um fundo de investimento,
ou seja, um grupo de pessoas que decide investir em algo e se une, cada
um contribuindo com uma quantia em dinheiro e o fundo faz o investimento.
Na prática, as pessoas delegam a decisão de onde investir
para os bancos. O cliente, então, compra uma cota do fundo. Se
ele compra uma cota de R$ 100,00 de um fundo de R$ 1.000,00, ele tem direito
a 10% do patrimônio do fundo. Se o investimento der lucro e o fundo
subir para R$ 1.200,00, o cliente terá direito a resgatar R$ 120,00.
Se der prejuízo e for para R$ 800,00, o cliente terá direito
a R$ 80,00. Em ambos os casos, terá que pagar uma taxa de administração
ao banco.
A
Previ é o maior fundo de pensão da América Latina
e o 77o no mundo em patrimônio, que atinge R$ 38,2 bilhões.
O fundo, que tem mais de 141 mil participantes, foi o único dos
93 fundos de pensão patrocinados por estatais a não adaptar
seu estatuto à nova lei 108. Tudo bem, a Previ não fez isso,
mas o qual seria o motivo que o governo teria para decretar uma intervenção
quatro dias após o vencimento do prazo para que essa alteração
seja feita, sem sequer negociar?
É
muito simples: lembra daquela história contada pelo Inácio
de que o presidente foi flagrado num grampo telefônico se oferecendo
para fazer pressão para a Previ mudar de lado no leilão
das telefônicas? Pois é, a pressão não foi
feita e a Previ apoiou o consórcio que não era o que o FHC
queria que ganhasse. Com essa lei, a pressão fica institucionalizada:
o presidente do fundo, que terá o voto de Minerva em todas as discussões,
será indicado pelo banco patrocinador, ou seja, o Banco do Brasil,
ou seja, o PSDB.
Com
a intervenção na Previ, o governo pode, agora, direcionar
os investimentos do maior fundo patrocinado por uma estatal para onde
lhe for mais conveniente, o que é muito importante, principalmente
em ano eleitoral. Desse modo, o governo pode dirigir investimentos para
alavancar a campanha de Serra ao Planalto (por exemplo, comprando os bancos
estatais que ninguém quer comprar) e, se estes investimentos não
derem lucro, o Serra devolve o controle à forma antiga e ainda
sai como o herói da democracia.
Viva
o Brasil!
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