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Filipe Bortolini
tem 22 anos, é estudante de Informática da UFRGS, e atualmente
uma de suas maiores paixões é escrever. Filipe está
realizando uma oficina de criação literária com o
escritor e Doutor em Letras Luiz Antônio de Assis Brasil, grande
autoridade no meio literário.
Condolências
Foi
enterrado nessa terça-feira, numa cerimônia simples, o esqueleto
do Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia), que jazia nos
armários do Palácio do Planalto há 7 anos. Os restos
mortais, bem como as fitas de conversas gravadas e os relatórios
da CPI que investigou o caso, foram depositados em caixão apropriado
e enterrados para sempre no cemitério de escândalos tucanos.
Citado por Inácio, o esqueleto do IEESTA, em sua última
entrevista, o esqueleto do Sivam foi o primeiro esqueleto a ir para o
armário do gabinete de FHC, sendo responsável pela queda
de um ministro e dois assessores presidenciais.
Tudo aconteceu em 1995,
com o vazamento de gravações, feitas pela PF (Polícia
Federal), de conversas entre o embaixador Julio César Gomes dos
Santos e o empresário José Afonso Assumpção.
Nas fitas, ambos defendiam os interesses da empresa americana Raytheon,
que arrematou o contrato para fornecimento de equipamentos no total de
US$ 1,4 bilhão sem qualquer licitação. Gomes dos
Santos era chefe do Cerimonial de FHC e Assumpção é
o representante da empresa no Brasil. Numa
das conversas, constava que o ministro da Aeronáutica da época,
o brigadeiro Mauro Gandra, responsável pelas negociações
do Sivam, passara dois dias na casa de Assumpção.
FHC ficou sabendo de tudo
pelo então presidente do Incra (Instituto Nacional de Colonização
e Reforma Agrária), Francisco Graziano. Resultado: Graziano, Gandra
e Gomes dos Santos deixaram o governo e o projeto tornou-se alvo de investigação
da Câmara, do Senado e do Ministério Público Federal
e teve o requerimento de criação de uma CPI (Comissão
Parlamentar de Inquérito) aprovado em 1996.
As suspeitas, entretanto,
vêm de antes do grampo da PF, quando a empresa de software Esca
foi afastada do projeto por fraudar guias de recolhimento do INSS. A Esca
faliu logo depois, mas seus funcionários fundaram outra empresa,
a Atech e voltaram ao Sivam.
A CPI, entretanto foi impedida
de investigar as empresas envolvidas, sob o argumento de que o Ministério
Público e o Tribunal de Contas da União já haviam
feito este trabalho, punindo os envolvidos exemplarmente: Santos é
embaixador do Brasil em Roma, Graziano elegeu-se deputado federal pelo
PSDB e Gandra dá aulas na Universidade Estácio de Sá,
no Rio, sendo responsável pela formação de novos
pilotos.
O relatório final
da CPI, que esvaziada pelo governo não conseguiu nem quebrar o
sigilo bancário de Santos, é apenas uma compilação
de fatos já conhecidos pelo Ministério Público Federal,
que acompanha o caso desde 1996 sem tomar qualquer atitude.
Assim, através da
ação desagregadora de FHC, um dos esqueletos mais antigos
e importantes do seu gabinete vai para a cova ante o olhar apático
de toda a nação, sem qualquer punição aos
envolvidos. Meus pêsames, Brasil.
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