Filipe Bortolini tem 22 anos, é estudante de Informática da UFRGS, e atualmente uma de suas maiores paixões é escrever. Filipe está realizando uma oficina de criação literária com o escritor e Doutor em Letras Luiz Antônio de Assis Brasil, grande autoridade no meio literário.


O Esqueleto da Vale

E o escândalo eleitoral desse mês é a denúncia de que Ricardo Sérgio, ex-diretor do Banco Central e responsável pela arrecadação de três campanhas de José Serra e da campanha que reelegeu FHC, teria exigido propina durante o processo de privatização da Vale do Rio Doce. O dinheiro seria o pagamento por ele ter formado o consórcio que liderou a compra da estatal mais lucrativa do país.
Segundo FHC, as denúncias são "requentadas", ou seja, já se tinha ouvido sobre elas e já se tinha enterrado tudo, sem qualquer investigação. As denúncias só teriam voltado devido às eleições, como forma de prejudicar a candidatura de José Serra. Este, por sua vez, diz que as acusações são apenas "tititi" e que não vale a pena investiga-las. E eu e você, leitor, é claro, acreditamos nele.
Já que o assunto voltou a ser discutido, acho que não faria mal nenhum ao país uma CPI que revisasse todas as privatizações desses últimos oito anos. Assim saberíamos, talvez, por que uma empresa lucrativa como a Vale foi vendida, por que nós pagamos a conta pelo descaso das operadoras de energia elétrica privatizadas e o que realmente aconteceu no caso das telefônicas, onde o próprio FHC foi pego num grampo telefônico enquanto tentava interferir no processo.
Mas já que falcatrua pouca é bobagem, nesta semana José Serra, o ministro da Fazenda, Pedro Malan e o chefe da Casa Civil, Pedro Parente foram condenados pela Justiça a ressarcir R$ 200 milhões aos cofres públicos por terem autorizado o pagamento, com recursos públicos, aos clientes que tinham dinheiro nos bancos que sofreram intervenção do Proer em 1995. Os tucanos ainda podem recorrer da decisão, mas nós não vamos ficar sabendo das tramitações, pois o processo vai correr em sigilo.
Resta agora saber quem vai pagar o pato da crise, no velho estilo tucano de demitir um ministro "culpado", empurrar o que der para baixo do tapete e colocar o esqueleto no armário. Aliás, na próxima semana publicarei uma entrevista com Inácio, o esqueleto utilizado para estudos no IEESTA, contando o que se diz no além sobre os armários do Palácio do Planalto.

 

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