Filipe Bortolini tem 22 anos, é estudante de Informática da UFRGS, e atualmente uma de suas maiores paixões é escrever. Filipe está realizando uma oficina de criação literária com o escritor e Doutor em Letras Luiz Antônio de Assis Brasil, grande autoridade no meio literário.


O fator de risco

Foi divulgado nesta semana um relatório dos bancos de investimento americanos rebaixando a classificação do Brasil para negócios e recomendando seus clientes a reduzir o número de investimentos no país. Segundo os bancos, a subida de Lula nas pesquisas seria um grande fator de risco. Tal fato, é claro, serve para reavivar as velhas crendices e falsidades espalhadas largamente pela direita de que se Lula ganhasse haveria o caos nacional.
Em sua coluna de 09 de abril de 2002, Marilene Felinto, colunista da Folha de São Paulo, aborda um texto que descreve o que pode acontecer, segundo os olhos dos EUA, caso Lula ganhe as eleições este ano: uma verdadeira desordem no mapa da América do Sul; a formação de bloco "globófico", encabeçado pelo Brasil, que se oporia ao plano respaldado pelos EUA de criar a Alca (Área de Livre Comércio das Américas); fortalecimento dos laços do Brasil com Cuba e com a guerrilha colombiana.
Tais afirmações traçam um quadro tão obsoleto da realidade política nacional e são um insulto tão grande à inteligência de qualquer brasileiro minimamente informado, que até parecem ter saído de algum texto do arquiteto Percival Puggina, o coordenador da campanha ao governo estadual do PPB, conhecido por sua disposição de publicar qualquer absurdo, desde que fale mal do PT.
O tal "rebaixamento" do Brasil, além de ser uma tática pró-EUA, é também uma grande jogada especulativa: é certo que José Serra (o candidato preferido dos Estados Unidos), subirá nas pesquisas quando iniciarem os programas eleitorais, assim como é certo que o segundo turno será entre ele e Lula. Se os investidores venderem suas ações agora, elas despencarão. Os especuladores, então, compram as ações barato, esperam Serra subir nas pesquisas e vendem por um preço muito maior do que compraram.
Ainda segundo Marilene Felinto, "[as afirmações] só revelam a prepotência e a esquizofrenia dos donos do mundo. Ainda que o PT fosse hoje o partido da luta armada, já seria consciente da impossibilidade de se libertar do jugo da globalização, da esmagadora americanização das economias e das culturas do mundo. Quanta arrogância. É terrível viver num país cujos presidentes são sempre os escolhidos dos Estados Unidos."
Desculpem, mas eu não resisto: o absurdo das afirmações dos americanos é tão grande, que só faltou eles dizerem que, se Lula ganhasse, os lugares em que os jovens se divertem, tais como o Posto Barão, seriam fechados. Mas, é claro, ninguém seria louco o suficiente para acreditar nisso.

 

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