Filipe Bortolini tem 22 anos, é estudante de Informática da UFRGS, e atualmente uma de suas maiores paixões é escrever. Filipe está realizando uma oficina de criação literária com o escritor e Doutor em Letras Luiz Antônio de Assis Brasil, grande autoridade no meio literário.


E o Rock morreu mais um pouco

"Então eu cometi um grande erro
ao tentar ver as coisas do meu jeito?"
Layne Staley (1967-2002)

Na verdade, não foi nenhuma surpresa. Para quem conhecia a banda e a história de seu vocalista, a morte de Layne Staley, a voz do Alice in Chains, foi algo que demorou para acontecer. Viciado em heroína desde o início do grupo, em 1987, Staley travou uma luta desumana contra o vício. Segundo ele próprio: "as drogas deram um ótimo resultado no começo da carreira, mas agora estou caminhando no inferno".
O Alice in Chains fazia parte da cena grunge de Seattle, que tinha outros grandes nomes como Nirvana, Pearl Jam e Soundgarden. De todas elas o Pearl Jam é a única que ainda resiste: o Soundgarden se separou em 98, o Alice in Chains em 1996 e o Nirvana acabou em 1994, com o suicídio de seu vocalista, Kurt Cobain.
A morte de Kurt Cobain e a de Layne Staley têm muito em comum. Ambos morreram sozinhos em suas casas, no mês de abril e foram achados dias após suas mortes, já em estado de decomposição. Além disso, ambos eram viciados em heroína e ambos tomaram uma overdose antes de morrer. A única diferença é que Kurt Cobain, que havia se injetado o suficiente para morrer três vezes, se deu um tiro na cabeça antes das drogas entrarem em ação.
Nesse momento, não posso deixar de pensar na ironia do destino dessas duas pessoas que, através da originalidade e da sinceridade, influenciaram definitivamente a música. Afinal, após embalar multidões em shows e festivais lotados, venderem milhões de cópias de seus álbuns e serem de reverenciados por todo o mundo, os dois morreram tristes, sozinhos e abandonados, ao ponto de ninguém perceber suas faltas por mais de uma semana.
Esta coluna é mais uma reverência a Layne Staley e ao Alice in Chains que, juntamente com o Nirvana é, e sempre será, minha banda favorita. Se você não conhece, está perdendo tempo. Se não curte rock, escute o Acústico. Mas, principalmente, procure conhecer as letras que, sem pieguices e exageros, são depressivas, melancólicas e realistas. Está tudo está lá: amor, ódio, medo, solidão, insegurança, algumas vezes de forma certeira e cruel; outras, de maneira tão sutil que parece não fazer sentido.
Enquanto isso o rock (que no Brasil está em vias de extinção), vai de mal a pior pelo mundo inteiro. De bandas medíocres como Creed e Linkin Park se faz o rock de hoje em dia, uma mistura de plágio, letras insossas e atitudes arrogantes, tudo sustentado por camadas de guitarras distorcidas e belos video-clipes. Mas quem se importa? Afinal, eles cantam tudo em inglês mesmo.

 

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