Filipe Bortolini tem 22 anos, é estudante de Informática da UFRGS, e atualmente uma de suas maiores paixões é escrever. Filipe está realizando uma oficina de criação literária com o escritor e Doutor em Letras Luiz Antônio de Assis Brasil, grande autoridade no meio literário.


De como obstruir a justiça


O PFL, Partido da Frente Liberal, está dando ao Brasil uma verdadeira aula de como obstruir a justiça em favor de interesses políticos, mesmo que isso acarrete em prejuízo para o país.
Comecemos pela votação da CPMF: após a apreensão de R$ 1,34 milhão e de documentos na empresa Lunus, de propriedade de Roseana Sarney, o PFL entupiu o congresso com nada menos que vinte e quatro medidas provisórias (MPs), impedindo a votação de quaisquer outros projetos, uma vez que a votação de MPs tem prioridade. Com o atraso, a CPMF voltará a vigorar só daqui a 120 dias, na melhor das hipóteses. Dessa forma, deixam de ser arrecadados R$ 400 milhões por semana, gerando um prejuízo total estimado em R$ 4,5 bilhões, que deverão ser cortados do orçamento, principalmente em projetos na área social.
No domingo passado, a Polícia Federal entregou uma intimação para Roseana depor, logo após ela ter renunciado ao cargo de governadora para concorrer à presidência. Tal fato gerou a indignação das lideranças do PFL. Porém, já na segunda-feira, ficou provado que a PF agiu corretamente e sabia com quem estava lidando: Jorge Murad assumiu a secretaria da Ciência e Tecnologia do governo do Maranhão, inventada no momento de sua posse, para que fosse garantido, a ele e à Roseana, o direito de foro privilegiado. Estamos falando, aqui, do mesmo Jorge Murad que um mês atrás, deprimido e arrependido, havia pedido demissão do mesmo governo, confessando ter cometido um erro grave que o tornava indigno de continuar exercendo um cargo público.
Essas artimanhas buscam, a todo o custo, zerar o placar no jogo da eleição presidencial. Através da obstrução de projetos e a paralisação de obras, o PFL pretende desacreditar o já combalido governo FHC, atingindo, assim, seu candidato à sucessão, o senador José Serra, e impedir a investigação dos atos de sua candidata, numa quase confissão de culpa. Afinal, se ambos são inocentes, por que não investigar o caso de uma vez e provar a inocência antes que esquente a campanha eleitoral, fortalecendo assim a imagem de sua candidata injustiçada?
A parte engraçada de tudo isso foi a Roseana reclamar que recebeu a intimação da Polícia Federal num domingo. Para se ter uma idéia, caro leitor, do quanto esta reclamação é absurda, digamos que eu esteja em Marau e resolva me divertir no Posto Barão no sábado à noite (e nós sabemos que é crime um jovem se divertir na nossa cidade). Se tal reclamação fosse válida, eu não poderia ser intimado no domingo. Assim, eu, um criminoso perigoso e sem escrúpulos, voltaria para Porto Alegre tranqüilamente, dificultando o trabalho das autoridades e propenso a cometer o mesmo crime na capital. Ou seja, um verdadeiro caso de obstrução da justiça.

 

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