Filipe Bortolini tem 22 anos, é estudante de Informática da UFRGS, e atualmente uma de suas maiores paixões é escrever. Filipe está realizando uma oficina de criação literária com o escritor e Doutor em Letras Luiz Antônio de Assis Brasil, grande autoridade no meio literário.


Absurdos


A invasão da fazenda do FH pelo Movimento Sem Terra foi uma das coisas mais absurdas que eu vi nos últimos tempos. E não estou nem colocando em questão a atitude do MST, que considero errada. Absurdo foi eles conseguirem entrar!
Vejam bem, o MST estava acampado ao lado de uma fazenda que já tentara invadir em pelo menos duas outras oportunidades e nem a Inteligência do governo, nem a Polícia Federal suspeitaram quais eram as intenções do grupo. Mais de 400 pessoas, em seis ônibus, passaram totalmente despercebidas. Rápido, chamem as tropas de elite dos EUA para terem aula com o MST!
Agora, tentem me convencer não é verdade que a polícia deliberadamente deixou o MST entrar, deixou os repórteres filmar e registrar as cenas insólitas e depois prendeu e humilhou os líderes do movimento, que haviam se retirado pacificamente. A imagem dos invasores algemados e deitados com a cara no chão saiu em todos os jornais e televisões do país, bem como a imagem de vítima do presidente e a de salvador de José Serra, sem que fosse gasto um centavo com publicidade e ainda tendo a opinião pública a favor, pois tudo é culpa dos sem-terra baderneiros.
Por falar em baderna, vou fazer um abaixo-assinado para que fuzilem todos os integrantes do MST. Afinal, será que eles não percebem o quão chato é ficar todo o dia escutando um bando de gente mal-vestida e sem educação falar que está morrendo de fome e quer trabalhar? Ora, quem mandou não nascerem filhos de latifundiários?
Antes que alguém me interprete mal, é óbvio que eu não quero fuzilar aquelas pessoas. Acho que, se o governo negociar e mostrar a eles o quanto são inconvenientes, é possível convencê-los a se suicidar e nos poupar o trabalho. Mas, se mesmo assim eles se mostrarem intransigentes e não aceitarem se matar, aí sim, fuzilamos todos. Mas não no Posto Barão, pois não queremos acordar ninguém com o barulho dos tiros.

 

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