Filipe Bortolini tem 22 anos, é estudante de Informática da UFRGS, e atualmente uma de suas maiores paixões é escrever. Filipe está realizando uma oficina de criação literária com o escritor e Doutor em Letras Luiz Antônio de Assis Brasil, grande autoridade no meio literário.


Um tributo ao amor


"Às vezes eu fico triste, apesar...
...de Andy ter fugido.
Eu tenho que me lembrar que
alguns pássaros não são feitos para serem presos.
Suas penas são brilhantes demais, seu canto é belo demais.
E quando eles voam para longe, a parte de você que sabe que era
um pecado mantê-los presos fica feliz.
Mas ainda assim...
... o lugar em que você vive torna-se muito mais
monótono e vazio depois que eles se vão.
Acho que eu apenas sinto falta do meu amigo"

Ellis Redding,
do filme "Um Sonho de Liberdade"

Assim como há pássaros belos demais para estarem presos, existem pessoas que parecem boas demais para serem de verdade, para viverem no mesmo mundo que nós. Porém, mesmo sabendo disso e sabendo que os pássaros estão mais felizes livres, não há nada que preencha o espaço na gaiola vazia, nada que preencha o silêncio e ausência quando pessoas deste tipo partem.
No começo parecia que não suportaríamos a dor por nem mais um dia e agora, por incrível que pareça, já se passou um ano desde que a Ellen Posser Lottici e o Marcelo Pissolatto Morás nos deixaram.
Não existem adjetivos suficientes para defini-los, nem palavras suficientes para agradecê-los por tudo que nos deram. Eram duas pessoas que pareciam já ter nascido com o caráter formado, que já eram adultos desde criança - mas sem perder a ternura e a inocência, encarando o mundo de uma forma que pareceria ingênua se não fosse sábia.
A Ellen, desde menina, bela, feliz. Sempre com a mesma postura, sempre alegre com as brincadeiras, sempre brava com alguma injustiça. Às vezes ela voltava de Porto Alegre de carona comigo e então íamos rindo a viagem toda e o tempo passava muito rápido. Ela estava sempre cheia de planos, sempre querendo chegar mais e mais longe.
Conheci o Marcelo quando tínhamos seis anos, no jardim do Colégio Cristo Rei. Estudei com ele até a quarta série, depois fomos para escolas diferentes e perdemos o contato. Voltei a falar com ele apenas no final de 1999, quando o encontrei numa janta de amigos que tínhamos em comum. Pude ver que ele continuava o mesmo companheiro que sempre fora quando estudamos juntos: simples, bondoso e prestativo são o mínimo que posso dizer sobre ele.
Infelizmente, não cheguei a ver os dois juntos, apenas escutei o que seus pais e os amigos que tiveram a sorte de testemunhar aquele amor falaram. Mas tenho certeza que, quando os dois estavam juntos, tudo ao redor ficava iluminado e, de repente, tudo era perfeito.
25 de Março de 2001. Ao amanhecer daquele que não deveria ser nada mais que um domingo comum, o Marcelo e a Ellen partiram. Quando penso neles - e seguido eu me pego pensando nos dois - eu os imagino assim como eles saíram daquela última festa: vestidos de branco, caminhando de mãos dadas em direção ao nascer do sol, sorrindo e desenhando corações no ar, na certeza de um futuro e de um amor que eles não poderiam viver com a gente.
Mas, mesmo partindo assim, sem aviso, não conseguiram partir de todo, pois, mesmo que nossos corações pareçam como gaiolas vazias e nossas vidas tenham perdido um certo encanto, eles vivem - e sempre viverão - como exemplo de pessoas e de vida, para seus pais, familiares e amigos, para todos que os conheceram.
Que voem livres, e amem em paz.

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