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Filipe Bortolini
tem 22 anos, é estudante de Informática da UFRGS, e atualmente
uma de suas maiores paixões é escrever. Filipe está
realizando uma oficina de criação literária com o
escritor e Doutor em Letras Luiz Antônio de Assis Brasil, grande
autoridade no meio literário.
Teoria da Conspiração
Desde os atentados de 11
de setembro e o início da Santa Cruzada Americana Contra o Terrorismo,
procuro entender qual o interesse dos Estados Unidos no Afeganistão.
O que justifica criar homens como Osama Bin Laden, fornecer armas às
guerrilhas para impedir que a Rússia dominasse o país e,
por fim, derrubar o Talibã? Seria a liberdade do povo afegão
e a luta contra o terrorismo?
A princípio, o Afeganistão
nada mais é que um enorme deserto improdutivo no meio da Ásia
Central. É habitado por um povo religioso e não-consumista
e não possui recursos naturais de qualquer espécie. Se não
é um mercado consumidor nem possui riquezas a serem extraídas,
porque é tão disputado?
A resposta para minhas
perguntas está numa pequena matéria do Correio do Povo de
02/12/2001, intitulada "Afeganistão ocupa uma posição
estratégica na Ásia Central". Nesta matéria
consta que, segundo um especialista da ONU sobre fontes de energia, o
Afeganistão ocupa posição estratégica como
rota de dutos que levariam recursos naturais aos principais mercados do
mundo. No Azerbaijão, no Cazaquistão, no Turcomenistão
e no Uzbequistão estima-se que existam 15 bilhões de barris
de petróleo e 9 trilhões de metros cúbicos de gás
natural.
"A questão
que acabou surgindo, no entanto, diz respeito à rota que os dutos
deveriam tomar para sair da região e chegar aos principais mercados
mundiais. Comercialmente, a possibilidade mais lógica seria transportar
o petróleo e o gás natural pela Rússia, seguindo
em direção ao Leste europeu. Essa
hipótese, entretanto, não é de interesse dos Estados
Unidos, uma vez que os dutos seriam controlados por Moscou. Outra possibilidade
era o transporte pelo Irã, que também não agrada
aos estrategistas norte-americanos. A única opção
politicamente viável seria fazer chegar os produtos ao Mar de Omã,
na costa Sul do Paquistão, passando pelo Afeganistão".
Aí está a
justificava para matar milhares de russos, afegãos e americanos.
Por fim, gostaria de recomendar
ao leitor que pratique, regularmente, o mesmo exercício do personagem
de Mel Gibson no filme "Teoria da Conspiração":
procurar em notícias aparentemente não relacionadas indícios
que permitam entender o que realmente há por trás dos fatos
e das manchetes. Suspeite de todas as respostas fáceis e das histórias
onde tudo se encaixa perfeitamente. Procure testar a veracidade das informações
e a verossimilhança das opiniões. Desconfie de tudo, inclusive
deste texto.
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