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Filipe Bortolini
tem 22 anos, é estudante de Informática da UFRGS, e atualmente
uma de suas maiores paixões é escrever. Filipe está
realizando uma oficina de criação literária com o
escritor e Doutor em Letras Luiz Antônio de Assis Brasil, grande
autoridade no meio literário.
Leia e entenda

Há mais ou menos
um mês, o presidente de uma das mais poderosas companhias financeiras
dos Estados Unidos esteve no Brasil e, numa palestra a empresários
e políticos, afirmou que a principal causa da relutância
estrangeira para investir no Brasil era o baixo nível de educação
do povo. Veja bem, caro leitor, não foi o Papa nem um professor
que disse isso, mas sim um dos "tubarões" da economia
mundial.
O Brasil tem quase 170
milhões de habitantes. Segundo o IBGE, Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística, o Brasil possui 50 milhões de analfabetos
funcionais - pessoas que aprenderam a ler e a escrever mas não
incorporaram a leitura e a escrita. Traduzindo: são pessoas que
conseguem ler, mas não entendem o que está escrito e pessoas
que conseguem pouco mais que escrever o próprio nome. Feitas as
contas, concluímos que mais de 30% da população brasileira
é analfabeta.
E a quem devemos agradecer
os números do analfabetismo nacional? A todos os presidentes que
recentemente usaram a faixa. Porém, devemos parabenizar em especial
nosso querido FHC e aproveitar o ensejo para enviar felicitações
ao ministro da Educação Paulo Renato de Souza, também
do PSDB e igualmente responsável por estes belos algarismos.
Não é nenhuma
novidade o descaso do governo federal com a educação, em
todos os níveis. O exemplo mais próximo a mim é o
das universidades federais: o governo tem reduzido sistematicamente os
recursos repassados para estas instituições, bem como não
tem negociado questões importantes para o funcionamento e para
o trabalho dos professores. A greve que acabou semana passada e que durou
108 dias (contando apenas a greve dos docentes) é a prova mais
evidente.
Na sua coluna de quarta-feira
no Correio do Povo, Elio Gaspari cita a reportagem do "Fantástico"
que mostrou a história do padeiro Severino da Silva, 27 anos, um
analfabeto que foi inscrito pelos repórteres no vestibular da Universidade
Estácio de Sá, no Rio. Ele marcou alternadamente "A"
e "B" em todas as questões de múltipla escolha
e entregou a redação em branco. Resultado: aprovado para
o curso de Direito. Só me resta concordar quando o colunista afirma
que se o governo tivesse coragem, venderia os diplomas nas livrarias,
pois o resultado seria o mesmo.
Ainda citando o Gaspari:
"Quando Severino estava sendo examinado, o ministro da Educação
insultava os professores grevistas das universidades federais. Mais: tomou
uma providência burocrática facilitando a criação
de novas universidades privadas.(...) Em sete anos, o governo estimulou,
até com financiamentos do BNDES, um inchaço dessa rede inferior
de ensino. No varejo, elas iludem os alunos. No atacado, engordam as estatísticas
do triunfalismo oficial. Um triunfalismo que se dedica a sucatear as universidades
públicas e a desmoralizar seus professores. Num procedimento inédito
na história nacional, o governo associou-se às superstições
produtivistas para tentar convencer os outros de que as universidades
públicas são ocupadas por alunos privilegiados e mestres
desocupados."
Sei que não deveria,
mas vou dar uma dica pro FHC: nessa luta para acabar com o direito à
Educação e convencer o povo de que isso é o certo
não utilize nenhum material impresso: mais de 30% da população
não entenderia.
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