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Filipe Bortolini
tem 22 anos, é estudante de Informática da UFRGS, e atualmente
uma de suas maiores paixões é escrever. Filipe está
realizando uma oficina de criação literária com o
escritor e Doutor em Letras Luiz Antônio de Assis Brasil, grande
autoridade no meio literário.
Flexibilizando Henrique Cardoso
Foi
aprovado na terça-feira passada, na Câmara dos Deputados,
o projeto segundo o qual qualquer acordo firmado entre patrões
e empregados é válido, mesmo que não esteja de acordo
com a CLT, a Consolidação das Leis do Trabalho. Conforme
o governo, isto deve flexibilizar as relações entre as partes
e diminuir o preço final dos produtos nacionais, favorecendo a
exportação.
Flexibilizar quer dizer
tornar flexível. Flexível é algo que se pode dobrar,
maleável, dócil, submisso. Sem o amparo da CLT, o trabalhador
terá que se dobrar de forma dócil e submissa ante seu patrão,
uma vez que não haverá lei que o proteja e que garanta seus
direitos. Basta estudar um pouco de história para saber como eram
as coisas antes da CLT. Basta olhar ao redor para saber como está
a economia atualmente. Basta um pouco de imaginação para
saber como será o futuro.
Imagine que você,
leitor, está chegando numa entrevista de trabalho necessitando
da vaga desesperadamente. Seu entrevistador e futuro patrão lhe
oferece um acordo em que você terá que fazer horas extras
sem receber a mais por elas. O que você vai dizer para ele? "Se
você não mudar isso eu não trabalho para você"
?
Estudemos, agora, a afirmação
de que a mudança da CLT aumentará as exportações.
Ora, não é o salário dos trabalhadores que encarece
nossos produtos, mas sim a pesada carga tributária que incorre
sobre eles e, principalmente, a incidência de impostos em cascata.
Na minha coluna do dia 17/11, tratei justamente deste assunto, apresentando
números de um estudo que diz que 33% do PIB nacional vai para o
governo na forma de impostos. Além disso, em mais de uma palestra
já ouvi grandes empresários se referirem ao governo como
o sócio que não faz nada e leva um terço do lucro.
Tenho a lista completa da votação, mas, como não
tenho espaço para publicá-la por inteiro, gostaria de registrar
a posição dos partidos em relação ao projeto:
PPB, PFL/PST, PSDB - Sim
PT, PMDB, PDT/PPS, PL/PSL,
PSB/PCDOB - Não
PTB - Liberado (a critério
de cada deputado)
Com a aprovação
na Câmara, o projeto vai para o Senado, onde não deve passar,
uma vez que o PMDB e a oposição, juntos, tem a maioria dos
votos. Minha sugestão é que, se aprovadas as mudanças,
os sindicatos de todo o país pendurem as listas das votações
da Câmara e do Senado em lugar de destaque na sua sede para, no
futuro, saber quem estava a favor dos trabalhadores ou não.
Só pra lembrar:
o presidente se chama Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, e o autor do
projeto é o ministro Francisco Dornelles, do PPB.
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