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Filipe Bortolini
tem 22 anos, é estudante de Informática da UFRGS, e atualmente
uma de suas maiores paixões é escrever. Filipe está
realizando uma oficina de criação literária com o
escritor e Doutor em Letras Luiz Antônio de Assis Brasil, grande
autoridade no meio literário.
Reformar e crescer
A
reforma tributária está entre as mudanças prioritárias
que o Brasil necessita para ser competitivo no comércio exterior
e desenvolver seu mercado interno.
O governo arrecada em impostos,
anualmente, cerca de 34% do PIB. Ou seja, a terceira parte de todos os
bens e riquezas produzidos no Brasil vão para o governo na forma
de tributos. Tal percentagem está próxima às mais
altas do mundo, praticadas em países como Dinamarca e Suécia,
onde os serviços estatais são muito superiores aos brasileiros.
Recentes pesquisas indicam
que a arrecadação per capita cresceu 187% de 1993 até
2000. Entretanto, apenas 7% da população economicamente
ativa paga imposto de renda e, das três milhões de empresas
brasileiras, apenas 1% responde por 85% do total arrecadado. Esta distorção
resulta em prejuízo para as empresas, que perdem competitividade,
e também para o cidadão, que recebe menos serviços
públicos. Na área da saúde, por exemplo, o investimento
brasileiro anual por habitante é de US$ 160,00, contra US$ 300,00
da Argentina e US$ 2.000,00 dos EUA.
Além disso, ainda
há a infame cobrança em cascata de impostos sobre a produção
nacional. Vejamos o caso de uma montadora de automóveis, que compra
pneus, peças e etc. de outras empresas. Ela paga o ICMS sobre cada
produto comprado de terceiros, porém, na hora em que as partes
são montadas e o carro está pronto para a venda, o governo
não leva em conta o ICMS já pago pelas peças. Assim,
a montadora repassa o valor do imposto no preço final de venda,
o que torna o produto mais caro para o consumidor final e, portanto, menos
competitivo para exportação. Outro exemplo absurdo é
dos cds nacionais: um cd com encarte e caixinha sai por R$ 2,50 da prensa
do fabricante e chega ao consumidor por R$ 30,00. Ainda outro exemplo:
o álcool sai das distribuidoras por R$ 0,27 o litro e é
vendido por R$ 1,40 nos postos.
Calcula-se que o fim da
cumulatividade daria um ânimo às exportações
estimado em US$ 800 milhões e diminuiria as importações
em US$ 5,2 bilhões, pois permitiria um tratamento isonômico
aos produtos nacionais e estrangeiros. O mercado interno seria fortalecido,
novos empregos seriam gerados e o governo arrecadaria muito mais em tributos.
Mas, pelo visto, a prioridade
do Governo Federal é atender suas necessidades imediatas de arrecadação,
sem erguer os olhos para o futuro. Não há qualquer interesse
numa reforma tributária, tanto que um projeto neste sentido, apresentado
pelo deputado Michel Temer (PMDB-SP), já aprovado pela Comissão
de Finanças da Câmara, está tendo seu andamento impedido
pelo governo.
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