Filipe Bortolini tem 22 anos, é estudante de Informática da UFRGS, e atualmente uma de suas maiores paixões é escrever. Filipe está realizando uma oficina de criação literária com o escritor e Doutor em Letras Luiz Antônio de Assis Brasil, grande autoridade no meio literário.


Pesquisa é desenvolvimento

Esta semana, tomei conhecimento de três notícias importantes que passaram meio despercebidas devido a atual paranóia da guerra.
A primeira diz respeito à encomenda que os Estados Unidos fizeram a uma fábrica brasileira de máscaras de gás. As máscaras são feitas com um filtro de carvão ativado, que é feito da casca de um tipo de coco muito comum na região onde a fábrica se encontra. O que acontece, porém, é que o Brasil não possui nenhuma indústria que faça o carvão ativado. Assim, a casca do coco é exportada a R$ 5,00 a tonelada, e o carvão ativado é importado pela fábrica de máscaras a R$ 25,00 o quilo.
A segunda diz respeito à venda de equipamentos militares fabricados no Brasil para um país cujo nome só lembrarei depois que esta coluna tiver sido publicada. O contrato total é de R$ 500 milhões: metade agora e metade durante até 2010. O Brasil fornecerá mísseis, tanques e transportes militares.
A terceira diz respeito a condenação da Bombardier, a empresa aérea canadense, por concorrência desleal em uma disputa de contrato com a Embraer. Os canadenses foram condenados por receberem incentivos abusivos do governo, podendo assim diminuir o custo de suas aeronaves, em detrimento da empresa brasileira.
Mas o que estas notícias tem em comum e o que as faz importantes? As três são provas de que o Brasil necessita de políticas de incentivo à pesquisa científica e de que a pesquisa traz retorno financeiro para o país. São prova de que o país tem capacidade de realizar projetos avançados, basta que se tenha as condições necessárias para tanto.
Vejam o caso do carvão ativado: quantos milhões de dólares são atirados aos americanos todo o ano pelo simples fato de não haver no Brasil quem saiba ativar o carvão? Se isso fosse feito aqui, o dinheiro ficaria aqui dentro, gerando emprego, riquezas e impostos.
E o caso das vendas de armamento? Nossa tecnologia militar é tão boa que tem gente que prefere vir comprar aqui a recorrer aos Estados Unidos ou à Rússia. E de onde surgiu esta tecnologia militar? Da pesquisa.
Que dizer, então da condenação da Bombardier? Nossos aviões são tão bons e tão acessíveis, que só com concorrência desleal eles conseguem nos derrotar em licitações. E de onde veio a tecnologia para a fabricação de aviões? Foi comprada de outros países? Não. Veio das pesquisas realizadas pela Embraer.
O Brasil precisa de tecnologia para se desenvolver. Só com pesquisa científica poderemos vencer as barreiras do terceiro mundo e criar condições de vida dignas para todos. O atual governo federal está sucateando a pesquisa, com resultados que só se farão sentir no futuro, de forma desastrosa. Se continuar deste jeito, só nos restará plantar coco pelo resto da vida.

Colunas Anteriores

Louvados sejam os americanos
A catástrofe anunciada
O assassinato do Dr. Flores - parte IV - Final
O assassinato do Dr. Flores - parte III
O assassinato do Dr. Flores - parte II
O assassinato do Dr. Flores - parte I
Pedro ganha um tigre numa rifa
Voltas
Férias
Amarga surpresa
Transições
Um cigarro
O nada
Ocaso
POA X Davos ? POA, com certeza
A volta
As coisas de Pedro contam uma história
 
 
  Comente o texto que você leu!

Você não concorda com o texto que você leu acima? Ou concorda e quer opinar sobre o assunto? Entre em contato com o autor! 

 


 

Nome: 

Email: 



 

Voltar para a página principal do Guia Marau

Guia Marau é uma criação de Jardel Bassi - todos os direitos reservados