“ Malditas sean las guerras
y
los canallas que las apoyan.”
De
um cartaz na manifestação de Madri
Por
mais doloroso e revoltante que seja, é necessário
admitir: nunca um ataque terrorista foi tão bem sucedido quanto
as explosões nos trens de Madri. A Al Qaeda (e não o
ETA, como se imaginou a princípio) sai como a grande vencedora
no episódio que custou a vida de duzentas pessoas e feriu outras
milhares.
O fator
decisivo para tal vitória foi o não adiamento
das eleições, que ocorreram apenas três dias após
os atentados, talvez numa tentativa ingênua de demonstração
de força. Os espanhóis, amedrontados pelas perdas humanas
e revoltados com a incoerência do governo ao apontar os culpados,
fizeram exatamente o que os terroristas queriam: derrubaram o presidente
em exercício.
Com isso,
dá-se aos terroristas a certeza de que seus métodos
funcionam, que o terrorismo vale a pena e que é possível
vencer através da violência. Dá-se a sensação
de que o poder está com eles e serve de incentivo para outros
atentados do mesmo tipo. Afinal, se funcionou na Espanha, por que não
fazer o mesmo na Itália ou na Inglaterra?
Outro
ponto positivo para o terror é a provável mudança
na forma como a Europa se relaciona com os EUA. Afinal, todo o político
europeu que se aliar a Bush saberá que seu país está se
tornando um alvo e que, se acontecer algum atentado, será visto
pelo seu povo como o culpado.Assim sendo, é certo que aumentará a
distância entre americanos e europeus, ou seja, haverá menos
apoio na luta contra o terrorismo.
Com a
Al Qaeda festejando seu sucesso, podemos ficar certos de que este
não será o último atentado a acontecer antes às
vesperas de uma eleição. O precedente está aberto
e fica no ar a pergunta: se acontecer um atentado às vesperas
das eleições americanas, Bush se reelege?
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