O
Brasil perdeu, nesta terça-feira, um de seus maiores historiadores:
o gaúcho Décio Freitas. Autor, jornalista, advogado,
procurador federal, Décio Freitas contribuiu de inúmeras
formas para com o povo brasileiro e sua história, sendo responsável,
por exemplo, por tirar do esquecimento Zumbi e os quilombos, em seu
aclamado livro “Palmares, a guerra dos escravos”. Para quem não
conhece sua obra, recomendo “O maior crime da terra”, que traz uma
investigação sobre o açougue humano que existiu
na rua do Arvoredo, em Porto Alegre, cujo dono vendia linguiça
feita da carne de suas vítimas.
***
Por
falar em açougue humano, aguardo ansiosamente o desenrolar
do fechamento dos bingos e da proibição dos caça-níqueis.
Não é segredo nenhum que ambos lesam seus clientes, além
de serem zona livre de lavagem de dinheiro e fonte de recursos para
criminosos. Se você discorda ou não tem opinião,
sugiro entrar em contato com a associação dos viciados
em jogo mais próxima, para ver que a coisa é bem diferente
daqueles bingos de cartela verde que jogava-se na escola, usando grãos
de feijão pra marcar os acertos.
***
Começei
a escrever esta coluna na quarta-feira, já imaginando
o título “Açougues humanos”. Que fim mais triste e apropriado
para um texto com esse nome que os atentados acontecidos na Espanha,
na manhã de quinta-feira? Quase duas centenas de mortos e mais
de mil feridos, numa estupidez completa. Se o ETA aplicasse o dinheiro
dos atentados em material informativo e na organização
de movimentos pacíficos, com certeza seria mais efetivo em sua
luta. A esta altura, entretanto, já nem possuem outro objetivo
se não a violência em si. Neste cenário, não
são os açougueiros, mas sim os ratos a esgueirar-se pelos
cantos, agindo como os ratos que são.
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