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Filipe Bortolini
tem 22 anos, é estudante de Informática da UFRGS, e atualmente
uma de suas maiores paixões é escrever. Filipe está
realizando uma oficina de criação literária com o
escritor e Doutor em Letras Luiz Antônio de Assis Brasil, grande
autoridade no meio literário.
Porto
Alegre x Davos? Porto Alegre, com certeza
Se o Fórum Social Mundial (FSM) realizado em Porto
Alegre deu o que falar, com certeza não foi por acaso. Muito mais
que um teatrinho político, como muitos querem pregar, o FSM foi
um espaço de discussão, debate e aproximação
entre pessoas afetadas pelo atual modelo econômico mundial. Ele
serviu, sim, para mostrar que existem outras alternativas econômicas
e de desenvolvimento que não o excludente modelo neoliberal. E,
principalmente, que é possível optar por outros caminhos.
A discussão principal no FSM não era o Socialismo x Capitalismo,
ou como transformar em Cuba todos os países pobres. Esta é
uma visão limitada e simplista. Todos sabemos que o capitalismo
é o atual modelo econômico e que lhe é intrínseco
o surgimento de desigualdades sociais. O que o neoliberalismo faz é
justamente aumentar estas desigualdades, concentrando mais dinheiro na
mão de quem tem mais e tirando mais dinheiro de quem nada possui.
O que o FSM tentou mostrar e, na minha opinião, conseguiu, é
que não é necessário que nos rendamos a este modelo
econômico como se ele fosse uma desgraça inevitável.
É possível trilhar outros caminhos e Porto Alegre é
uma prova disto. Não é o socialismo de Cuba que está
sendo pregado, mas a preocupação com o aspecto social.
Concluir com precisão qual destes dois modelos é melhor
e mais justo é, na verdade, muito fácil. O neoliberalismo
não pensa nos problemas sociais, na moradia, na educação.
Ele prega o dinheiro pelo dinheiro e passa por cima de tudo e de todos
pelo acúmulo de capital. Quantos bancos e quantas moedas o Soros
quebrou para ficar mais rico ?
Pensar que o FSM tenha pretensões de acabar com o capitalismo mundial
e reintroduzir o socialismo não é utopia, é idiotice.
Não se muda a ordem econômica mundial de um dia para o outro
e, além disso o encontro foi uma busca de alternativas ao neoliberalismo
e não ao capitalismo. E querer classificar qualquer partido que
se oponha ao atual governo federal e seu modelo econômico como comunista
é muito atraso.
Que a população brasileira nunca viu um desenvolvimento
econômico tão grande pode até ser verdade, mas também
é verdade que ela nunca viu tamanha desigualdade social. O povo
está realmente vendo o desenvolvimento, mas não está
participando. É disto que trata o FSM: o desenvolvimento econômico
lado a lado com o desenvolvimento social.
O FSM foi, em todos os aspectos, um sucesso, pois conseguiu unir pessoas
de todos os povos do mundo em busca de um objetivo comum. Além
disso, Porto Alegre se tornou uma das cidades mais conhecidas do mundo.
Bastava entrar na Internet e acessar os jornais do mundo todo e lá
estava, na primeira página, o nome da cidade. Vieram ministros,
senadores, reis, mendigos, revolucionários, pessoas comuns. Mais
de 1.500 jornalistas de todo o mundo e toda a capacidade hoteleira da
capital (9.000 vagas) preenchida.
E para quem acredita que o neoliberalismo está longe daqui, que
tal um exemplo local ? Marau, que tem inúmeras empresas e indústrias
de grande porte, não tem esgoto pluvial nem saneamento básico
suficientes. Basta olhar como ficam as ruas do centro quando chove mais
forte e as desgraças que aconteceram com o último temporal.
Realmente, não adianta querer construir o teto antes da casa, mas
também não é bom construir a casa sem saneamento.
Este é o exemplo do desenvolvimento econômico e do atraso
social. Se ambos andassem juntos, provavelmente o povo não precisaria
sofrer tanto com "El Chuvon" da semana passada.
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