|
 
Carla Viapiana tem 23 anos, é
formada em Comunicação Social: Jornalismo pela UPF. É
editora do suplemento jovem do Jornal A Folha Regional e sócia-professora
do CCAA de Marau.
Auto-Ajuda
Quando peguei a Veja da semana passada, me deparei com a manchete: “Auto-ajuda
que funciona”. No início achei bastante curioso: “Nossa!
Esse assunto na capa da Veja?” Acho que esperava assuntos mais banais
e corriqueiros, infelizmente, como drogas, crimes... Porém, resolvi
ler a matéria, porque nunca li um livro de auto-ajuda e queria
saber mais sobre o assunto. Nunca li, não porque me considero uma
pessoa sem “problemas” a resolver, mas porque nunca me interessou
esse tipo de leitura, acho óbvio afirmar “o sucesso é
ser feliz”. Fácil dizer, difícil de fazer... Confesso
que já tentei ler um voltado para a comunicação,
mas não consegui passar das primeiras páginas...
Lendo a matéria,
algumas coisas ficaram mais claras na minha cabeça. Primeiro, as
pessoas lêem porque precisam de algum tipo de ajuda (é claro,
caso contrário os livros não teriam esse nome, ãããh!).
Segundo, é uma indústria incrível e não é
literatura.
Acredito que é na
religião que as pessoas deveriam buscar as respostas para suas
inquietações e problemas. Não quero aqui defender
a católica, a evangélica ou a budista. Penso sim, que é
muito mais confiável acreditar numa religião com sua história,
doutrina e papel definido, do que acreditar num simples livro.
Acontece que as religiões
estão perdendo o seu papel, as pessoas não acreditam mais
em seguir um ritual, rezar, coisas desse tipo. Querem respostas rápidas
e eficientes, como o mundo em que trabalham e, conseqüentemente,
vivem. Um exemplo: o hinduísmo, religião que se desenvolveu
na Índia, compreende o sacrifício, a oração,
a leitura dos textos sagrados e a meditação. Alguém
pode estar pensando: “Tudo isso para ser hindu? Ah, prefiro ler
um livro de auto-ajuda e pronto!”
Os livros de auto-ajuda
também são um mercado incrível para as editoras ganharem
dinheiro. Nos últimos 10 anos, o segmento cresceu 700% sozinho.
No geral, com todas as outras linhas, o mercado editorial cresceu somente
35%. No ano de 2001, foram publicados 3,4 milhões de exemplares.
Você acha que isso tudo é pouco dinheiro? Mas há os
que pensam no lado educacional, afirmando que as pessoas estão
lendo mais, não importa que seja auto-ajuda. Certo, estão
lendo mais, mas favorecendo essa indústria e esquecendo dos nomes
consagrados da nossa literatura. O
estranho disso tudo é ter Paulo Coelho ocupando uma cadeira na
Academia Brasileira de Letras, lugar que nem o maior poeta gaúcho,
Mário Quintana, ocupou.
Pensando melhor, até
que não deve ser tão ruim ser a favor desse assunto. Melhor
as pessoas acharem respostas num livro de auto-ajuda, do que nas drogas,
nas seitas, em coisas que a nossa sociedade condena. Melhor lerem auto-ajuda,
do que não lerem nada. No entanto, ainda assim, prefiro ir à
missa, acreditar em Deus, conversar com meus pais, meus amigos, meu namorado,
e ler jornal, revista e um pouco de literatura de vez em quando como:
“Se eu conheço algum segredo é o da sinceridade, não
escrevo uma vírgula que não seja confessional” (Mário
Quintana).
Colunas Anteriores
Viva os direitos humanos
Estou ficando velha
A menina afegã
Nada de glamour ou tristeza
Mulher com M maiúsculo
Para os curiosos
Pensamento de criança
Prefiro os loucos
Uma pincelada nos bastidores
de uma reportagem
A amizade continua.
Viajar ou não, eis a
questão.
Ah, quando eu fiz vestibular!
Comente o texto que
você leu!
Você não concorda com
o texto que você leu acima? Ou concorda e quer opinar sobre o assunto?
Entre em contato com o autor!
Voltar
para a página principal do Guia Marau
Guia
Marau é uma criação de Jardel Bassi - todos os
direitos reservados
|
|
|