Carla Viapiana tem 23 anos, é formada em Comunicação Social: Jornalismo pela UPF. É editora do suplemento jovem do Jornal A Folha Regional e sócia-professora do CCAA de Marau.

 

Viva os direitos humanos

Estamos em época de eleição. Estamos prestes a ver o presidente americano recomeçar uma guerra contra o Iraque. Estamos ainda atônitos com a rebelião em Bangu 1, liderada pelo traficante Fernandinho Beira-Mar. De todos esses "estamos", observo o pano de fundo disso tudo: Os direitos humanos.
A eleição, por vezes, parece uma piada, como escrevi no Carona do dia 04 de setembro. Mas, não se pode esquecer que, de acordo com o Artigo XXI, da Declaração Universal dos Direitos Humanos: "Toda pessoa tem o direito de tomar parte no governo de seu país, diretamente ou por intermédio de representantes livremente escolhidos". Posso achar engraçado algum candidato a deputado estadual, mas ele está no seu direito de candidatar-se.
Os Estados Unidos foram alvo de terroristas no dia 11 de setembro. Como resposta imediata bombardeou o Afeganistão. Mas os terroristas tinham o direito de atacar a maior potência econômica e militar do mundo? E os americanos? Tinham eles o direito de responder daquela maneira, matando civis? Vamos lembrar novamente da Declaração dos Direitos Humanos, Artigo XII: "Ninguém será sujeito a interferências na sua vida privada, na sua família, no seu lar ou na sua correspondência, nem a ataques à sua honra e reputação. Toda pessoa tem direito à proteção da lei contra tais interferências ou ataques." Os terroristas sentem muita "interferência" dos americanos. Já os americanos, sofreram ataques a símbolos da nação. Um econômico, o World Trade Center, e outro militar, o Pentágono. Dessa forma, sentiram os ataques sendo contra a "honra e reputação" do povo. Quem está certo?
Fernandinho Beira-Mar é um dos maiores comerciantes de armas e de drogas da América Latina. Está preso desde 2001 e, mesmo assim, controla ações criminais. A última foi uma rebelião em Bangu 1, presídio de segurança máxima, em que está preso. De acordo com a polícia, Fernandinho conseguiu atingir os seus objetivos: a morte de rivais (entre eles Ernaldo Pinto de Medeiros, o Uê, chefe de uma facção inimiga), reforçar a hegemonia do Comando Vermelho (CV) e seu fortalecimento nas favelas. Para o cidadão brasileiro, a revolta perante essa situação é evidente. Com Beira-Mar preso, quem paga a sua estadia na prisão é o contribuinte. Mas o que se observa é que, mesmo pagando, o cidadão não vê resultados. O traficante continua mandando e desmandando, fortalecendo o chamado "poder paralelo". Algumas pessoas afirmam: "Manda matar, bota o exército na rua e acaba com tudo isso". Infelizmente, violência gera mais violência e isso não resolveria o problema. Além do mais, temos que lembrar que: "Toda pessoa tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal".(Artigo III)
Observando esses três assuntos extremamente atuais, nota-se o quanto a Declaração Universal dos Direitos Humanos é importante e, ao mesmo tempo, polêmica e delicada. Trata de assuntos necessários para uma pessoa viver bem, mas esse "viver bem" é encarado de várias maneiras. Para alguns é simplesmente ser livre e para outros é haver justiça acima de tudo. Como para mim é ser feliz, para você pode ser outra coisa totalmente diferente. Ficar do lado dos Direitos Humanos não é fácil, mas é preciso. Para finalizar, não se pode esquecer que o brasileiro Sérgio Vieira de Mello assumiu a chefia do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos. Boa sorte e bom trabalho para ele.



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