Carla Viapiana tem 21 anos, é recém formada em Comunicação Social: Jornalismo pela UPF. É editora do suplemento jovem do Jornal A Folha Regional e sócia-professora do CCAA de Marau.

 

A menina afegã

 

Em 1985, a imagem de uma menina afegã de olhos verdes foi publicada na capa da revista National Geographic. Essa foto foi tirada por Steve McCurry em 1984, durante a ocupação russa no Afeganistão. Com o atual clima de guerra no país, a revista resolveu procurar esta garota conhecida simplesmente como “a menina afegã” e que, por 17 anos, ninguém tinha nem se quer a menor idéia de qual seria o seu nome. Mas por que procurá-la? Porque muita gente, na época da publicação, se emocionou com a imagem. McCurry recebeu cartas de pessoas do mundo todo que, por causa da foto, decidiram ser voluntários em programas de ajuda no Afeganistão. Em janeiro deste ano, uma equipe do programa Explorer, da National Geographic Television, foi ao Paquistão com fotógrafo com a missão de encontrar a menina de olhos verdes. E no meio de todo aquele universo de guerra, por mais profético que isso possa parecer, a equipe achou Sharbat Gula, a enigmática menina. Hoje ela é uma mulher casada, usa burca e tem três filhas e sua vida é cuidar delas e do marido.
O mais interessante disso tudo é a reação da mulher ao ver sua foto 17 anos depois. Qualquer mulher ocidental ficaria muito feliz ao saber que seu retrato fez tantas pessoas se mobilizarem a ajudar pessoas no meio de um conflito. Sharbat simplesmente não entendeu como seu retrato afetou tanta gente. Para ela, a burca é “uma roupa bonita, não é maldição”, diz ela à equipe do Explorer. Sharbat consegue escrever seu nome, mas não sabe ler, sua única esperança é que suas crianças possam estudar, que saibam fazer algo. “Eu queria terminar a escola, mas não foi possível”, conta ela.
Para qualquer feminista radical, a reação de Sharbat é absurda, como para qualquer ocidental não é fácil entender por que homens se “vestem de bomba” e matam milhares de pessoas em nome de Alá. São mundos distintos que parecem não fazer parte do mesmo planeta e a menina dos olhos verdes retrata a condição de sofrimento das mulheres e homens afegãos: lutar para poder criar os filhos longe da guerra.


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