Carla Viapiana tem 21 anos, é recém formada em Comunicação Social: Jornalismo pela UPF. É editora do suplemento jovem do Jornal A Folha Regional e sócia-professora do CCAA de Marau.

 

Nada de glamour ou tristeza

 

Quando li que Malu Mader estaria no Gruta Azul, em Porto Alegre, não acreditei. Pensei que era apenas uma confusão: "Um foca trocou o nome, só pode ser no Opinião ou no Dado Bier". Porém, quando abri a Zero Hora de quinta-feira (21/03) e vi as fotos da moça da sobrancelhas grossas subindo o mezanino da famosa casa noturna, tive que acreditar. O objetivo da atriz era divulgar o filme "Bellini e a Esfinge", inspirado na obra do marido e guitarrista dos Titãs, Tony Bellotto, no qual interpreta a prostituta Fátima. Meu objetivo, nesta coluna, não é criticar sua aparição, dizer que é uma jogada de marketing ou, como ela mesma explica na matéria da ZH: "Sou uma atriz apaixonada pelo ser humano", mas sim expor um pouco sobre o glamour e a tristeza do universo da prostituição.
Glamour? Sim, mulheres bonitas, festas maravilhosas, homens interessantes e ricos. Observe os filmes em que aparecem prostitutas. O último que vi foi o musical Moulin Rouge com a Nicole Kidman e Ewan McGregor. Nele a ex de Tom Cruise está poderosíssima na pele de Satine - sugestivo este nome, não? E as novelas? A temida Rosa Palmeirão foi a última a aparecer na nossa telinha. Se depender desses produtos da indústria cultural, a profissão mais antiga do mundo vira a melhor do mundo.
É claro que alguns filmes mostram o outro lado, o da tristeza. O filme Malena traz a história da mulher muito bem casada e linda, que perde tudo. Para sobreviver, sem contar com mais nenhuma opção, somente sua beleza, resolve assumir a prostituição. Na televisão, lembra da Capitu? Nada agradável as surras e a vergonha de ser garota de programa.
E a realidade? Como é? Cheia de glamour ou tristeza? Acredito que nenhuma delas. Minha experiência sobre o assunto é somente de uma jornalista, que no ano passado, tentou retratar a prostituição em Marau. Não fui a uma casa noturna, à noite, como a Malu Mader, mas fui à luz do dia, ver como elas são sem a característica produção noturna. De glamour não vi nada. Realmente nada! E de tristeza? Também não. O que vi foi comodidade. Mulheres que na falta de algo melhor, resolveram prostituir-se.


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