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Carla Viapiana tem 21 anos, é
recém formada em Comunicação Social: Jornalismo pela
UPF. É editora do suplemento jovem do Jornal A Folha Regional e
sócia-professora do CCAA de Marau.
Uma
pincelada nos bastidores de uma reportagem
Desde que o Segundo Caderno (caderno do jornal A Folha
Regional) foi lançado, em maio de 1999, pensava-se em fazer uma
matéria enfocando o assunto prostituição. Por vários
motivos, foi-se deixando de lado este objetivo. Porém, agora com
o lançamento do Folha News, pensamos em estreá-lo com uma
reportagem sobre esse assunto.
Confesso que não foi tão fácil entrar em contato
com as moças que
sobrevivem do próprio corpo. Tentamos falar com alguns cafetões,
conseguimos telefones de algumas garotas e no final de duas semanas conversamos
com duas mulheres.
São dois pontos que mais me chamaram a atenção ao
fazer esta matéria.
O primeiro, é o motivo que as levaram a prostituição.
Uma por causa do filho, que ainda é pequeno. A outra para se sustentar,
desde que brigou com os pais e fugiu de casa. Chama atenção
porque me perguntei se esta realmente seria a única saída.
Será que nenhuma delas sabe tem capacidade para ter uma outra profissão?
Nenhuma sabe cantar, escrever, passar, pintar, ensinar? Será que
nenhuma tem o mínimo de estudo para lutar por um emprego? Será
que o dinheiro é tão bom e fácil assim?
Outro ponto foi enfrentar uma realidade que não é a minha.
Na faculdade íamos até as vilas pobres de Passo Fundo para
fazer o jornal mural e víamos a pobreza, as dificuldades que as
pessoas passavam para sobreviver, mas não era na minha cidade,
não era em Marau. É muito fácil fazer jornalismo
quando a fonte principal é a prefeitura, as secretarias, a câmara,
a EMATER, os sindicatos... Agora, quando se tenta ver a realidade, a mazela
pelas quais algumas pessoas passam na nossa cidade, não é
nem um pouco agradável. Não foram todos os lugares que nós
passamos que eram sujos e pobres, mas alguns eram realmente inabitáveis.
Toda a equipe se perguntava: como alguém pode viver aqui.
Há muitos outros detalhes sobre as entrevistas com as prostitutas
que são muito interessantes se observados, porém tenho que
preservar alguns deles. Se eu colocar todos os detalhes, posso revelar
algum dado que possa identificar as Samantas e a Valérias
marauenses.
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A amizade continua.
Viajar ou não, eis a
questão.
Ah, quando eu fiz vestibular!
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